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Após postergar

Lula envia mensagem ao Senado e formaliza indicação de Messias ao STF

Mensagem ao Senado foi postergada após tensão envolvendo Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco.
Mensagem ao Senado foi postergada após tensão envolvendo Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco. (Foto: Renato Menezes/AGU)

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Após quase seis meses desde que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada, o presidente Lula (PT) enviou ao Senado a mensagem de indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para substituí-lo.

A demora no anúncio passou por uma tensão envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), primeiro destinatário do documento. Ele defendia que o indicado fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Apesar de não ter sido o indicado, Pacheco irá se filiar ao PSB para concorrer ao governo de Minas Gerais em aliança com Lula.

O anúncio ocorreu no Dia da Consciência Negra, gerando reações de grupos identitários, que desde a indicação de Cristiano Zanin reivindicavam espaço para uma mulher negra na Corte. Para tentar aplacar as críticas, o governo apontou para sua autodeclaração como pardo nas eleições de 2018 e 2022. Em 2014, porém, ele se disse branco.

Em paralelo, Messias publicava, em suas redes sociais, uma mensagem elogiosa a Alcolumbre, se colocando à disposição para a sabatina. O gesto não agradou. O presidente do Senado, que não foi procurado com antecedência para uma reunião, disse que recebeu a mensagem "do indicado" e que iria cumprir seu dever.

O resultado foi o agendamento da sabatina, mas com apenas 15 dias para que o advogado-geral da União pudesse buscar o apoio dos senadores. Havia, porém, a pendência burocrática do envio oficial da mensagem. Com isso, Lula postergou a mensagem.

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Sabatina no Senado deve envolver questões sobre aborto

Com aborto ditando tom da Sabatina, Messias deve enfrentar questionamentos sobre parecer sobre assistolia fetal. Com aborto ditando tom da Sabatina, Messias deve enfrentar questionamentos sobre parecer sobre assistolia fetal. (Foto: Emanuelle Sena/AGU)

Messias tem 45 anos e, com isso, só precisa se aposentar em 2055, caso seja nomeado. A votação é secreta, mas o Senado só rejeitou cinco dos 172 indicados em 134 anos de existência da Corte. Todas as cinco ocorreram em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

A principal resistência da oposição envolve a temática do aborto. Messias assumirá casos relacionados ao tema. Barroso defendia a teoria de que a vida individualizada começa quando se forma a placa neural. Em consequência disso, o Supremo decidiu, em 2012, que o aborto de fetos anencéfalos não é crime.

Messias não defende publicamente uma teoria de início da vida. Como evangélico, ele conta com o apoio do ministro André Mendonça, mas precisa lidar com críticas da oposição diante de um parecer que pretende abrir margem ao método abortivo de assistolia fetal.

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