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Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Emmanuel Macron, da França, condenaram nesta terça (27) a ação militar dos Estados Unidos que prendeu o ditador venezuelano Nicolás Maduro, no começo do ano. A condenação ocorreu durante uma ligação entre os dois líderes mais cedo.
Segundo comunicado do Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de uma hora em que também falaram sobre o Conselho da Paz proposto pelo mandatário norte-americano, Donald Trump.
“Trocamos impressões sobre a situação na Venezuela. Ao condenarmos o uso da força em violação ao direito internacional, concordamos a respeito da importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo”, disse Lula sobre a conversa.
Por outro lado, sobre a iniciativa de Trump fortemente criticada por Lula na semana passada, os dois líderes se mostraram contrários e pregaram um “fortalecimento” da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A esse respeito, defendemos o fortalecimento das Nações Unidas e concordamos que iniciativas sobre paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU”, seguiu Lula.
Na última sexta-feira (23), Lula acusou Trump de querer “criar uma nova ONU” na qual “ele é o único dono”. Já nesta segunda (26), ele e o líder dos Estados Unidos falaram sobre o Conselho em que o petista pediu a inclusão da Palestina no plano e que o órgão trate apenas da guerra em Gaza.
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Ainda na ligação com Macron, Lula voltou a tentar convencê-lo dos benefícios que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia trará aos países. A França tem atuando contra a parceria por causa de uma forte pressão dos agricultores, que temem perder mercado com a entrada de alimentos mais baratos do bloco sul-americano no mercado francês.
“Reafirmei que o Acordo MERCOSUL - União Europeia é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comercio baseado em regras”, pontuou o presidente brasileiro.
O acordo foi assinado pelos dois blocos no dia 17 de janeiro, mas judicializado pelo Parlamento Europeu, o que pode atrasar o início da implementação das novas regras tarifárias. Em paralelo, o governo brasileiro tenta mobilizar o Congresso para aprovar a internalização do acordo para aplicar as normas mesmo que parcialmente.
Lula ainda citou que conversou com Macron sobre a cooperação bilateral entre França e Brasil, em especial nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia. “Nos comprometemos a instruir as equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026”, completou.








