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O Palácio do Planalto confirmou nesta sexta (16) que não há previsão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajar ao Paraguai neste final de semana para participar da cerimônia de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. O evento terá a participação de todos os presidentes dos países que fazem parte do bloco comercial sul-americano com a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Lula, no entanto, será representado pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, segundo confirmou a pasta à Gazeta do Povo.
A falta de Lula no evento contrastará com a forte campanha feita por ele desde o início deste terceiro mandato para concretizar o acordo negociado há 26 anos pelos dois blocos de países. Ele pretendeu, inclusive, fechar a negociação no período em que presidiu o Mercosul entre julho e dezembro do ano passado. Atualmente, a presidência do bloco é do Paraguai, que sediará a cerimônia de assinatura do acordo.
Mais cedo, ele se encontrou com Ursula no Rio de Janeiro como uma prévia da assinatura do acordo, e afirmou, em um artigo publicado no jornal argentino La Nación, que a parceria é uma "resposta" para lidar com o "unilateralismo que isola os mercados e o protecionismo que sufoca o crescimento global" – críticas que podem ser associadas diretamente aos Estados Unidos.
"Em uma época em que o unilateralismo isola os mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e defendem o multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o petista no artigo.
Em seguida, ele defendeu que o acordo contraria a lógica das guerras comerciais que, de acordo com ele, segregam as economias, empobrecem as nações e exacerbam a desigualdade. Para o presidente petista, “não existe uma economia isolada” e que o comércio internacional “não é um jogo de soma zero”.
“Todos buscam crescer, e esta nova parceria gerará oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, completou.
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"A assinatura deste acordo só é possível porque o Mercosul e a União Europeia compreenderam que juntos tinham muito mais a ganhar do que separados e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade. Apesar de visões distintas, os blocos encontraram pontos de convergência, demonstrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito", pontuou.
Pouco depois da reunião com Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro, Lula voltou a alfinetar Trump em um pronunciamento afirmando que o Mercosul e a União Europeia "compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos". Isso, porquê, o petista criticou durante seu mandato as atitudes do líder norte-americano, como autoritarismo e o unilateralismo nas decisões.
A assinatura da parceria entre o Mercosul e a União Europeia será realizada neste sábado (17) em Assunção.









