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Caso Master

Lula sabia que Lewandowski tinha contratos privados, diz Gleisi

Gleisi Hoffmann
A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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A ainda ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), das Relações Institucionais, afirmou nesta quarta (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conhecimento de que o ex-ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) tinha contratos com empresas privadas antes de ser indicado à pasta, em janeiro de 2024. Uma apuração publicada na véspera aponta que seu escritório teve um contrato de consultoria de R$ 6 milhões com o Banco Master entre agosto de 2023 e setembro de 2025.

Desde então, a oposição tem ligado o escândalo do Banco Master ao governo por conta da atuação do escritório de Lewandowski, o que Gleisi negou haver irregularidades.

“Quando o presidente Lula convidou o Lewandowski ele sabia que o ministro tinha contratos privados, e o ministro informou que ia cumprir a lei e desvencilhar-se de todos, o que fez. Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum ele ter contrato de consultoria. E o ministro prestou um relevante serviço ao país”, afirmou a jornalistas em Brasília.

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Segundo a apuração, o escritório de Lewandowski foi indicado ao Banco Master pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e confirmado pelo próprio ex-ministro. Ele afirmou, no entanto, que deixou a consultoria a cargo dos filhos, Enrique e Yara, com prestação de serviços de “consultoria jurídica” de “caráter estratégico”.

Gleisi Hoffmann, no entanto, minimizou e afirmou que toda a apuração que está sendo feita em relação ao Banco Master “foi feita sob a gestão do ministro Lewandowski, que é a gestão da Polícia Federal”. “E foi na gestão dele que o presidente do Master, [Daniel] Vorcaro, foi preso”, completou.

A ministra ainda acusou a oposição de tentar fazer uma ligação supostamente inexistente entre Vorcaro e o governo, mesmo após outra apuração ter revelado que o banqueiro esteve no Palácio do Planalto pelo menos quatro vezes, inclusive se reunindo com o próprio presidente Lula em uma delas.

“Essa situação que tentam ligar ao governo ou ao ministro Lewandowski são uma tentativa da oposição. O governo tem sido firme e decidido em fazer a investigação, seja a fiscalização do Banco Central, seja a investigação da Polícia Federal. Foram nesses últimos dez meses que isso aconteceu”, afirmou a ministra.

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Após meses de silêncio e distanciamento do Master, Lula deu uma guinada nos bastidores e em público para tentar se descolar do escândalo financeiro. Poucos dias antes de sua reunião com Vorcaro ter sido revelada, ele criticou os “sem vergonha” que defendem “cidadão que deu golpe de 40 bilhões”.

Buscando se dissociar de algo que já danificava a imagem do governo, Lula fez a sua primeira declaração pública sobre o escândalo durante entrega de moradias em Maceió (AL), no último dia 23. Sem citar o dono da instituição, ele usou o caso para reforçar discurso contra a desigualdade social.

Lula ignorou o envolvimento recente de ex-ministros dele com o Master. Guido Mantega (Fazenda) assessorava o banco com salário de R$ 1 milhão e chegou ao Master graças também a Jaques Wagner. O ex-ministro circulou livremente pelo Palácio do Planalto em 2024, levando Vorcaro para reuniões no governo e atuando de forma discreta nos bastidores enquanto os interesses do banco avançavam.

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