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Marco Aurélio Mello reage a revelações sobre Moraes e Vorcaro: “impensável”

Ministro aposentado defendeu sessão decreta para "lavar roupa suja" e criticou "promiscuidade".
Ministro aposentado defendeu sessão decreta para "lavar roupa suja" e criticou "promiscuidade". (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

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O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello classificou como "impensável" a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro descoberta pela Polícia Federal (PF). As mensagens vieram a público nesta terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um processo que contém um relatório com diálogos, contratos e reuniões detalhando o contato entre o dono do Banco Master e a família Moraes.

"O que eu posso dizer é que o STF não é órgão consultivo, muito menos órgão consultivo da bandidagem. É impensável para todos nós o que está nesse contexto", afirmou, em entrevista ao Valor Econômico publicada nesta quarta-feira (2).

Mello defendeu que os fatos precisam ser apurados e que "não se pode imaginar que tudo isso seja procedente". O ex-magistrado não vê precedentes em sua experiência no Supremo e classifica as conversas, por se afastarem da "indispensável cerimônia" como "promiscuidade".

"Eu, por exemplo, recebia e recebia sozinho, não chamava ninguém para assistir, em meu gabinete, os advogados. Mas sempre num trato com absoluta elegância. Isso precisa ser percebido", continua.

Ministro defende reunião secreta

Como próximo passo, Mello defende que o Supremo se reúna a portas fechadas. O regimento interno prevê que as sessões serão secretas "quando algum dos Ministros pedir que o Plenário ou a Turma se reúna em conselho".

"E aí, evidentemente, se tiver que ser lavada roupa suja, que seja lavada. Principalmente em casa", completa.

De acordo com fontes ouvidas pelo portal Metrópoles, Moraes e Mendonça se desentenderam e quase foram às vias de fato após o levantamento do sigilo. Na mesma decisão, foi encaminhado um pedido para uma sessão pública sobre as constatações.

Citado no relatório, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do procedimento. Ele sustenta que Mendonça determinou o aprofundamento sem requerimento da PGR ou da PF e que uma investigação envolvendo ministro do Supremo dependeria de autorização do colegiado.

Vorcaro perguntou se deveria "estar fora" dias antes de prisão em aeroporto

As mensagens coletadas vieram de Vorcaro e foram destinadas ao contato salvo em seu celular como "Alexandre de Moraes". Em uma delas, o banqueiro pergunta "como está aí em Madrid" e se o destinatário estaria no Brasil na semana seguinte. A mensagem é de 30 de outubro de 2025, data em que Moraes estava no sexto Congresso da Conferência Mundial sobre Justiça Constitucional, promovido pelo Tribunal Constitucional da Espanha.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente na noite de 17 de novembro de 2025, uma segunda-feira, por ordem do  juiz que emitiu o mandado foi Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto o Banco Central (BC) se preparava para liquidar, no dia seguinte, o Banco Master. Dois dias antes, o banqueiro envia uma mensagem a Moraes:

"Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?".

Para Mello, ainda não é possível determinar se Moraes deve ser julgado por crime comum ou crime de responsabilidade. A definição não é meramente formal. Os crimes comuns dos magistrados são julgados pelo plenário do Supremo, enquanto os crimes de responsabilidade envolvem a atuação do Senado Federal, o que levaria à possibilidade de impeachment.

Fachin diz que analisará fatos para o "devido encaminhamento institucional"

O presidente do STF falou sobre o caso pela primeira vez em um evento sobre resistência democrática. Edson Fachin leu uma nota em que afirma que "os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional" e que anunciará as medidas cabíveis nos próximos dias, após a análise dos fatos. O magistrado cita que tanto a "atuação processual" quanto os "sérios elementos de fato" exigem "serenidade, responsabilidade e firmeza".

"A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal", pontua.

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