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Sanções dos EUA

Mauro Vieira diz que EUA se incomodam por Brasil não se curvar a exigências de Trump

Mauro Vieira
Ministro das Relações Exteriores vê motivação política para novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos decidiram impor um novo tarifaço de 25% por um incômodo de que o Brasil não se curvou a exigências e demandas feitas pelo governo do presidente Donald Trump. A confirmação da nova sobretaxa foi anunciada na véspera e entra em vigor no próximo dia 22.

A justificativa para o novo tarifaço foi dada por Vieira em um pronunciamento no Palácio Itamaraty, em Brasília, após uma longa reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. [...] Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, disparou o ministro.

Mauro Vieira ressaltou que foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades dos Estados Unidos desde antes do primeiro tarifaço de 50% imposto no ano passado, sendo 11 delas diretamente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer. Também somaram as conversas entre Lula e Trump.

“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. [...] Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente na investigação, pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025”, completou.

O ministro ressaltou que os Estados Unidos exigiram do Brasil demandas consideradas inaceitáveis durante as negociações comerciais, como a abertura total, irrestrita e exclusiva ao país de setores inteiros da economia sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros.

Na avaliação de Vieira, a situação se agravou após a carta enviada por Donald Trump ao presidente Lula em 9 de julho de 2025, em que o governo justificou o tarifaço de 50% “por expressa motivação política em tentativa de interferência no poder Judiciário brasileiro”, em relação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na investigação da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Ainda durante o pronunciamento, o ministro Mauro Vieira criticou duramente uma declaração recente de Rubio em relação ao presidente Lula, de que o petista teria colocado seu “ego à frente de fechar um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.

“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo”, afirmou.

Uma nova entrevista coletiva com os ministros da reunião da manhã com Lula está marcada para esta tarde. Há a expectativa de que o governo reforce as críticas ao tarifaço e que medidas de apoio à indústria nacional sejam mencionadas, além da continuidade das tratativas com autoridades dos Estados Unidos.

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