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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça recebeu aplausos de um público de advogados após, ao longo de uma palestra, defender a atuação ética dos juízes e criticar a busca por protagonismo pessoal nos julgamentos.
As falas ocorreram no evento "Os desafios da advocacia no século XXI", promovido pela seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) na tarde desta sexta-feira (20).
"Meu grande desafio, em qualquer processo, é entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos, ou seja, simplesmente pelo dever de fazer o certo. Por isso que eu não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial. Não, eu tenho só expectativa de fazer o certo pelos motivos certos. E acho que esse é o papel de um bom juiz. O papel do bom juiz não é ser estrela", destacou, no que foi interrompido pelas palmas.
O ministro ainda lembrou que os magistrados são servidores públicos, e que a condição exigiria "preservar a relação de confiança que a sociedade e o cidadão depositam" nela. "A cada dia, a cada decisão, procurar ter em mente a responsabilidade nossa com a Justiça, com a Constituição, com o país, com a sociedade", completou.
Antes disso, logo no início de sua fala, Mendonça declarou que não pretende ser "salvador de nada", pelo que foi também aplaudido. Eu entendo que é um múnus público, ali há muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes", concluiu, recebendo mais aplausos.
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Ministro substituiu Toffoli no caso Master em meio a crise de credibilidade

As declarações ocorrem em meio a uma crise de credibilidade que levou o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a intensificar sua articulação em prol de um código de ética. Mendonça acabou incluído nos esforços para aplacar as críticas ao assumir, no lugar do ministro Dias Toffoli, a relatoria do caso Master.
A Polícia Federal (PF) chegou a pedir o afastamento de Toffoli do caso a Fachin. O afastamento ocorreu, mas os ministros decidiram não colocá-lo como um acatamento do pedido da investigação: após uma reunião, anunciaram que o próprio Toffoli, mesmo apoiado pelos nove magistrados, decidiu deixar o caso por conta própria.
Conforme as investigações avançaram, as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, chegaram também a Alexandre de Moraes. O ministro tem negado qualquer diálogo, mas seu contato, o de sua esposa, Viviane Barci, e do seu sócio, o advogado Mágino Alves Barbosa Filho, aparecem no celular de Vorcaro.








