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Operação Sem Desconto

MPF apura se chefe da PF violou sigilo ao falar sobre irmão de Lula no caso INSS

MPF apura se chefe da PF vazou dados sigilosos sobre irmão de Lula no caso INSS
MPF apura se Andrei Rodrigues violou sigilo ao falar que Sindnapi e irmão de Lula não eram alvos da Operação Sem Desconto. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

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O Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou informações sigilosas envolvendo a Operação Sem Desconto, que investiga os descontos ilegais em aposentadorias do INSS.

Segundo o documento, a declaração de Andrei foi referente ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi assinada pelo procurador Gabriel Pimenta no último dia 15 e publicada no Diário Oficial do MPF nesta terça-feira (20). Em abril de 2025, o chefe da PF disse, em entrevista ao site ICL Notícias, que os dirigentes e o próprio Sindnapi não eram alvo da operação.

"Várias entidades e associações foram objeto de buscas e apreensão e de medidas também contra os seus dirigentes. E esse sindicato, o Sindnapi, não foi objeto de busca e apreensão. Tampouco os seus dirigentes foram alvos de qualquer medida, as pessoas físicas alvos de qualquer medida", disse Andrei na ocasião.

"E respondendo muito objetivamente: o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação. Portanto, isso eu sei que, pela questão política, termina gerando uma onda de pessoas tentando fazer uma vinculação", enfatizou o chefe da PF durante a entrevista.

No entanto, o sindicato foi alvo de busca e apreensão no dia 23 de abril de 2025. Após a ação policial, o Sindnapi afirmou, em nota, que “apoia a investigação das denúncias de irregularidades nos descontos em benefícios dos aposentados”.

Inicialmente, o procedimento contra o diretor da PF havia recebido um parecer pelo arquivamento. Contudo, a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (7ª CCR/MPF) rejeitou a manifestação e determinou o prosseguimento das apurações.

O colegiado revisor apontou a necessidade de diligências para verificar a ocorrência de suposto descumprimento de dever funcional; crime de violação de sigilo funcional (previsto no artigo 325 do Código Penal); e prática de ato de improbidade administrativa por violação aos deveres de honestidade e imparcialidade (artigo 11, inciso III, da Lei nº 8.429/1992).

Entre as medidas ordenadas pelo MPF estão a notificação de Andrei para que preste informações formais sobre os fatos apurados; a análise e juntada da decisão judicial que determinou o sigilo do inquérito policial da Operação Sem Desconto no trecho relativo ao Sindnapi; e a remessa do procedimento à Justiça Federal no DF para acompanhamento pelo juiz de garantias. 

A Gazeta do Povo procurou a Polícia Federal, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

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