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Márcio Pochmann

MPTCU pede afastamento de presidente do IBGE por risco de interferência nos dados do PIB

Pochmann tomou posse na sede do sindicato, mas decisões unilaterais geraram desgaste com os servidores.
Pochmann tomou posse na sede do sindicato, mas decisões unilaterais geraram desgaste com os servidores. (Foto: Washington Costa/MPO)

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O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann. A representação foi protocolada no dia 19 de fevereiro e, nesta sexta-feira (6), os resultados da auditoria foram enviados ao relator, ministro Aroldo Cedraz.

Como justificativa, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira alega risco de uso político dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) em ano eleitoral, situação que "impõe aos dirigentes de instituições técnicas o dever reforçado de cautela, autocontenção e respeito absoluto à autonomia científica, de modo a prevenir qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais".

"O descrédito nas estatísticas oficiais — notadamente no cálculo do PIB e nos índices de inflação — possui elevado potencial de causar dano ao erário", argumenta, apontando ainda que tal decrédito "já deve estar ocorrendo em alguma medida".

Após 11 anos no cargo, a coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, foi exonerada, às vésperas da divulgação de dados do PIB. Para o MPTCU, "A produção de estatísticas oficiais — especialmente aquelas relacionadas às Contas Nacionais e ao Produto Interno Bruto — pressupõe estabilidade das equipes técnicas, respeito a padrões metodológicos internacionais e proteção contra interferências de natureza política ou personalista."

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Denúncia cita crise agravada pela Fundação IBGE+

Pochmann registrou IBGE+ em cartório sem uma lei que autorizasse criação da fundação. Pochmann registrou IBGE+ em cartório sem uma lei que autorizasse criação da fundação. (Foto: Roberta Aline/MDS)

No documento, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira cita diversas reportagens que expõem a crise no órgão. Economista ligado às idelogias de esquerda, Pochmann escolheu a sede do Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE (Assibge) para tomar posse, sob a promessa de que seu mandato daria voz aos técnicos. A principal reivindicação, porém, não foi cumprida: os servidores pediram um congresso institucional aos moldes do que ocorre na Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas o presidente entregou o que chamou de "Diálogos IBGE".

Na esteira do projeto, Pochmann alegou que havia, ali, a sugestão dos servidores para a criação da Fundação IBGE+, que captaria recursos da iniciativa privada para novos projetos. O sindicato, no entanto, contesta: a categoria alega que revisou toda a documentação do projeto, e nada foi encontrado sobre a iniciativa. Em meio à crise, o IBGE+ foi extinto por determinação do TCU.

O Ministério Público alega que só é possível criar esse tipo de fundação por meio de lei. Não foi o que ocorreu: Pochmann foi diretamente a um cartório no Rio de Janeiro e abriu o novo órgão.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a presidência do IBGE e o espaço segue aberto para manifestação.

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