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Vorcaro-Moraes

Novo pede que Mendonça afaste Andrei Rodrigues por suspeitas de interferência no caso Master

Partido alega que, embora não haja ingerência comprovada, possibilidade já cria riscos à investigação.
Partido alega que, embora não haja ingerência comprovada, possibilidade já cria riscos à investigação. (Foto: Andre Borges/EFE)

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O partido Novo pediu que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afaste do cargo o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A petição foi protocolada nesta quarta-feira (2) no processo que revelou mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. O sigilo foi derrubado na terça-feira (1º).

O Novo alega risco de interferência nas investigações do caso Master por conta de trechos que envolvem o diretor-geral. A sigla reconhece que não há comprovação de proteção a Vorcaro ou aos interesses do Banco Master, mas afirma que a possibilidade já é suficiente para o afastamento e pede ainda a abertura de um inquérito.

"A existência de indícios de possível participação da autoridade, que ocupa o mais alto cargo da Polícia Federal em fatos investigados pela própria instituição, já é suficiente para indicar que há, sim, risco à condução independente das apurações por parte de investigadores subordinados", argumenta.

Agora, a legenda avalia que é necessário esclarecer se houve contatos diretos ou indiretos entre o banqueiro e Andrei para tratar das investigações ou vazamentos das informações do inquérito. Outra solicitação é para que se avalie o organograma, em busca de eventuais alterações motivadas por influência de Vorcaro.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a PF. O espaço segue aberto para manifestação.

Revelações deflagraram novo capítulo de crise no Supremo

A revelação da proximidade entre Vorcaro e Moraes deflagrou uma das maiores crises da história do Supremo. O jornal espanhol El País classificou o episódio como uma "bomba atômica". Já o argentino La Nación fala em "terremoto político".

Por meio de nota, o presidente do Supremo, Edson Fachin, se comprometeu a analisar o caso e anunciar as medidas a serem tomadas "no tempo devido e sem precipitação". Sem citar Moraes ou Mendonça, o ministro afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional” e mencionou, “de um lado”, circunstâncias relacionadas à “atuação processual” e, “de outro”, “sérios elementos de fatos”.

"A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal", concluiu.

Por conta da disposição tradicionalmente atribuída às cadeiras, baseada em antiguidade, Moraes se senta ao lado de Mendonça. Na primeira sessão após a queda do sigilo, porém, não houve nenhuma fala ou sinalização relacionada ao episódio. Os ministros discutiram se o PIS e a Cofins podem ser cobrados dos investimentos que as seguradoras fazem utilizando suas reservas técnicas. Moraes, Dino, Gilmar Mendes e Zanin entenderam que sim, mas foram vencidos pelo voto de Luiz Fux.

O que dizem as mensagens

Pergunta sobre Madri reforça ligação com Moraes

O centro da petição do Novo é uma mensagem de 30 de outubro de 2025. A conversa desse dia começa às 16h25. Vorcaro pergunta: "Fala meu caro, tudo bem? Como está aí em Madrid? Semana que vem vai estar no Brasil". De acordo com uma notícia do próprio Supremo Moraes esteve em Madri de 28 a 30 de outubro, para o sexto Congresso da Conferência Mundial sobre Justiça Constitucional.

Três minutos depois, o banqueiro manda uma mensagem mais longa. Começa dizendo que mudaria sua ida a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, para ver o ministro em sua casa terça-feira seguinte, 4 de novembro.

Naquele dia, o ministro embarcou em um jatinho para Brasília, junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). Depois, houve uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O paradeiro do ministro após as 14 horas não é documentado em registros públicos depois disso, mas Vorcaro afirma que está nos Emirados Árabes.

Vorcaro diz que a situação econômica do banco está boa, mas expressa preocupação diante de informações recebidas de integrantes do Banco Central (BC). De acordo com ele, os diretores do órgão, incluindo "G" - possivelmente o presidente, Gabriel Galípolo - estariam sob pressão da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para tomarem uma atitude contra o Master. É aí que surgem as referências a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

"É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve".

Dez minutos depois, o banqueiro lista cinco nomes da PF e três da PGR. Sete nomes são identificáveis:

  • Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF;
  • Janaína Palazzo, delegada que conduziu o depoimento de Vorcaro;
  • Ubiratan Cazetta, procurador da República;
  • Gabriel Pimenta Alves, procurador da República ligado à apuração do caso Master;
  • Wilker Goulart, agente da PF;
  • Guilherme Alves, delegado da PF;
  • Daniel de Brito, procurador da República;

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