
Ouça este conteúdo
Um imprevisto técnico fez a tripulação de um dos maiores e talvez o famoso porta-aviões dos Estados Unidos, o USS Nimitz - que participou de conflitos no Golfo Pérsico e inspirou dois filmes de Hollywood (entre eles Top Gun)- deixar um avião histórico para trás após uma parada no Brasil em maio. O Grumman C-2A Greyhound pode ser agora visto no novíssimo Museu Aeroespacial Paulista (MAPA), que abriu as portas em São Paulo.
Não estava nos planos dos americanos deixar o C-2A para trás quando o porta-aviões nuclear Nimitz passou pelo Rio de Janeiro entre os dias 11 e 14 de maio deste ano em sua viagem mundial de despedida. Na ocasião, o navio participou da Operação Southern Seas em conjunto com a Marinha do Brasil.
O porta-aviões participou da força marítima internacional na guerra Irã-Iraque (1988), da crise de reféns americanos na embaixada do Irã em 1979 e de um combate entre aviões americanos F-14 e caças líbios em 1981 que inspirou a ficção Top Gun - Ases Indomáveis (1986). Outro filme, Nimitz - De Volta ao Inferno (1980) foi gravado dentro do navio.
O C-2A modelo 54 não é o avião de caça pilotado pelo personagem de Tom Cruise em Top Gun, mas desde que chegou ao Brasil no Nimitz tem atraído aficcionados por aviação. Ele é um grande bimotor que por décadas foi usado para transportar carga para os superporta-aviões americanos.
No Rio de Janeiro ele decolou do Nimitz para dar uma carona a militares e jornalistas brasileiros que acompanhariam os exercícios no porta-aviões, mas teve um problema elétrico. Seus instrumentos deram sinal de incêndio no motor.
Os pilotos executaram um pouso de emergência na Base Aérea do Galeão. A tripulação conseguiu pousar no Galeão e constatou que não havia incêndio, segundo o setor de Comunicação Social do Museu Aeroespacial Paulista respondeu à Gazeta do Povo.
Mecânicos levaram sete dias para revisar a parte elétrica da aeronave e fazer reparos para evitar novo alarme falso. Mas quando o avião foi ligado, um vazamento em uma bomba de um dos motores foi identificado e posteriormente um defeito em uma hélice. O conserto foi se estendendo por dias e depois semanas. Nimitz zarpou sem o CA-2.
Mesmo consertado, um desgaste no motor tornaria muito arriscado um voo de quatro dias de volta para os Estados Unidos. Oficiais americanos pensaram então na possibilidade de doação.
“O Comandante dos Oficiais de Manutenção Paul Ingram entrou em contato com Oficiais militares brasileiros de alta patente, e foi então mencionado que o Museu Aeroespacial Paulista teria interesse na doação da aeronave”, explicou o museu.
Engenheiros americanos realizaram ajustes pontuais apenas para viabilizar o deslocamento final do avião. A aeronave voou até o Campo de Marte sob autorização especial dos órgãos competentes. Com efeito, a FAB assumiu oficialmente a guarda da peça militar.

VEJA TAMBÉM:
Histórico operacional da frota aeronaval
A fabricante Grumman desenvolveu o projeto do C-2A Greyhound nos Estados Unidos. A Marinha norte-americana utilizou o bimotor por cerca de seis décadas em missões de alta complexidade. Por conseguinte, o modelo consagrou-se como o principal vetor logístico embarcado das forças navais.
A aeronave transportava rotineiramente cargas pesadas, passageiros, correspondências oficiais e suprimentos médicos. Ademais, o compartimento interno comportava motores inteiros de caças supersônicos em alto-mar. Essa versatilidade operacional garantiu longos anos de serviços ininterruptos em porta-aviões globais.
Todavia, o Departamento de Defesa iniciou a substituição gradual desses veteranos bimotores. As forças armadas norte-americanas adotaram os modernos modelos Bell-Boeing CMV-22B Osprey. Dessa maneira, os aviões retirados de serviço recebem destinações museológicas permanentes em diversas nações.
Assim sendo, a chegada do bimotor enriquece o registro da tecnologia militar ocidental. O público brasileiro conhecerá os métodos logísticos utilizados pelas frotas durante a Guerra Fria. A máquina representa um marco do transporte aéreo de apoio naval.
Museu tem aviões da Segunda Guerra que foram do Comandante Rolim
O MAPA planejou a exibição da aeronave militar como destaque importante do acervo do espaço cultural. O acervo destacará a evolução do transporte aeronaval e a cooperação internacional entre as nações. Nesse sentido, pesquisadores e estudantes poderão analisar a engenharia do clássico bimotor. O exemplar mantém a pintura original e os emblemas do esquadrão Rawhide na fuselagem.
Além dele, o novo museu incorpora exemplares que faziam parte do museu do comandante Rolim Amaro, fundador da TAM, que se chamava Asas de um Sonho e funcionava no interior do estado.
Entre eles estão modelos clássicos da Segunda Guerra, como o Spitfire, o Messerschmitt Bf 109G e o F4U Corsair.
Essas aeronaves foram cedidas ao projeto em regime de comodato, ou seja, permanecem sob a propriedade de seus respectivos detentores, mas são disponibilizadas para integrar o acervo e a exposição do novo museu. Dessa forma, o MAPA conseguiu reunir exemplares históricos sem que houvesse uma transferência definitiva de propriedade. Há aviões das décadas de 1930 a 1970, inclusive um caça que já foi usado pela FAB.
“O acervo do Museu Aeroespacial Paulista (MAPA) tem nas aeronaves históricas seu principal núcleo, constituindo a base material de sua proposta museológica e um dos elementos de sua narrativa expositiva", diz o museu em nota.
O MAPA foi inaugurado em julho e já tem dois espaços temáticos em funcionamento no aeroporto Campo de Marte, na capital paulista. A ideia dos organizadores é ir expandindo o acervo gadualmente. Mas ele não está totalmente aberto ao público. Por enquanto só visitas para grupos específicos estão sendo programadas. Em 2027 deve começar a visitação por alunos de escolas.







