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O acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acelera no Congresso uma agenda de pautas de forte apelo eleitoral para o governo e, ao mesmo tempo, antecipa a negociação pelo espaço de poder no ciclo político que começa em fevereiro de 2027. O entendimento envolve o fim da escala 6x1, a extinção da chamada “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública, o marco dos minerais críticos e outras propostas prioritárias para o Planalto que podem ser votadas antes das eleições de outubro deste ano.
A imagem dos três líderes unidos em torno de uma agenda comum, porém, vai além das votações. Para o analista político Alexandre Bandeira, o movimento não representa um aumento do controle do Palácio do Planalto sobre a agenda do Congresso, mas uma mobilização do Centrão para o caso de um hipotético novo governo petista.
Na avaliação dele, as lideranças do bloco buscam preservar influência e espaço de poder no próximo ciclo político. “Isso não aumenta o controle do Palácio do Planalto sobre a agenda do Congresso. É muito mais uma mobilização do Centrão”, afirma.
Bandeira avalia que lideranças do Centrão apostam que Lula terá maior capacidade de negociar e partilhar poder com o Congresso do que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, o apoio às pautas do governo não seria uma demonstração de fidelidade ao governo Lula, mas parte de uma negociação maior para preservar influência do próprio Centrão no próximo ciclo político. “O Centrão não foi feito para ser oposição”, resume Bandeira.
Já o presidente da consultoria Casa Política, Márcio Coimbra, avalia que Lula decidiu negociar diretamente com o comando das duas Casas diante das dificuldades para coordenar uma base aliada fragmentada. Segundo ele, a estratégia busca destravar matérias prioritárias e reduzir a imprevisibilidade da agenda legislativa antes que o calendário eleitoral limite ainda mais as votações.
“O Palácio do Planalto percebeu que depender da articulação fracionada e dispersa da base aliada trazia riscos operacionais elevados, optando por pactuar diretamente com o topo do Poder Legislativo matérias prioritárias”, afirma.
Para Coimbra, a aproximação entre Lula, Motta e Alcolumbre permite ao governo reduzir o risco de derrotas e de pautas contrárias ao Planalto, além de criar uma vitrine de entregas ao eleitorado. “Ao construir essa agenda tripartite, o presidente [Lula] reduz a taxa de ruído nos plenários, mitiga o risco de pautas-bomba de última hora e garante uma vitrine de entregas sociais concretas ao eleitorado”, diz.
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Lula, Motta e Alcolumbre formam um novo eixo
A força do acordo está justamente na concentração de poder. Lula comanda o Executivo, enquanto Motta e Alcolumbre controlam as pautas da Câmara e do Senado. O alinhamento entre os três, portanto, cria condições para acelerar projetos que dificilmente avançariam com a mesma velocidade sem uma coordenação direta entre as cúpulas dos Poderes.
A comissão da MP que acaba com a “taxa das blusinhas”, por exemplo, teve sua instalação antecipada após o encontro. A medida precisa ser aprovada até 8 de setembro para não perder a validade. O relator da proposta que acaba com a escala 6x1 também apresentou parecer favorável ao avanço da matéria no Senado.
Para Coimbra, o alinhamento direto com as presidências das Casas devolve ao governo maior capacidade de influenciar o ritmo das votações e dá previsibilidade à pauta legislativa.
Mas essa capacidade tem limites. Na avaliação de Bandeira, o movimento não significa que Lula passou a controlar o Congresso. Ao contrário, o acordo também atende ao interesse das lideranças do Legislativo em preservar sua influência e se posicionar diante do próximo ciclo político.
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O preço do apoio do Centrão
Motta e Alcolumbre também têm interesses próprios nesse entendimento. Segundo Coimbra, os dois ampliam seu protagonismo institucional e se consolidam como fiadores de uma nova estabilidade entre Executivo e Legislativo. Além disso, o acordo pode facilitar o fluxo de emendas parlamentares e preservar o peso político das atuais lideranças.
“O Congresso converte seu poder de veto em dividendos orçamentários e prestígio público, enquanto Lula obtém o destravamento da agenda prioritária”, afirma Coimbra.
Bandeira acrescenta que há um interesse mais amplo na manutenção das atuais relações de força. “É uma questão fisiológica dos atores envolvidos”, diz, ao afirmar que as lideranças buscam construir condições para preservar seus espaços de poder na próxima legislatura.
Na leitura de Bandeira, a aproximação atende a uma lógica tradicional do bloco político: o Centrão busca se posicionar ao lado de quem pode oferecer mais espaço na divisão do poder. “É muito mais uma ocupação do espaço do Centrão em um futuro governo Lula”, diz.
Pautas populares entram na agenda eleitoral
O componente eleitoral também está no centro do acordo. O fim da escala 6x1, especialmente, tem potencial para ser explorado por Lula junto ao eleitorado. Mesmo que a proposta enfrente dificuldades para produzir efeitos imediatos, sua aprovação ou avanço no Congresso pode ser apresentado como uma vitória política da campanha governista.
Para Bandeira, pautas que estavam represadas podem agora entrar na agenda sob uma lógica eleitoral. “Vão entrar na esteira do populismo para serem tratadas às vésperas do pleito eleitoral e carreadas como vitórias do governo.”
Coimbra concorda que o acordo é circunstancial. Para ele, não há uma mudança estrutural na relação entre Lula e o Centrão, mas uma convergência temporária de interesses antes da eleição.
“O que ocorreu foi uma convergência temporária de conveniências. A aprovação de matérias com alto dividendo eleitoral serve tanto ao discurso de entregas do Executivo quanto ao desejo dos caciques partidários de mostrarem trabalho às suas bases”, afirma.










