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O paradeiro da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se um dos principais pontos de incerteza em meio ao avanço das investigações em torno do Banco Master. Convocada para prestar depoimento em duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), a do INSS e a do Crime Organizado, ela não respondeu às tentativas de contato, o que abriu margem para a possibilidade de condução coercitiva — medida mencionada pelo presidente da CPI do Crime Organizado, Fabiano Contarato (PT-ES).
Segundo Contarato, a CPI esgotou diferentes meios de tentativa de localização, incluindo e-mails, telefonemas, correspondências e até telegrama, além de contato com o escritório de advocacia que representa a influenciadora no Brasil. Ainda assim, não houve retorno. A suspeita é de que Graeff esteja atualmente nos Estados Unidos, mas a informação não foi confirmada oficialmente — o que intensifica o impasse em torno de sua convocação.
A reportagem da Gazeta do Povo também buscou contato com o advogado de Martha Graeff para saber como a possibilidade da condução coercitiva foi recebida, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Em nota enviada à imprensa no dia 10 de março, a influenciadora, por meio de seu advogado, negou envolvimento com as atividades profissionais ou financeiras de Vorcaro e disse que processará quem participou do vazamento de mensagens relacionadas a ela.
Por um lado, o vazamento de suas conversas privadas com Vorcaro, que revelam intimidades de quando formavam um casal, violam o direito à privacidade e ao sigilo de comunicações. Por outro, as conversas revelaram informações de interesse público, como a proximidade de Vorcaro com autoridades, como por exemplo visitas privadas ao ministro Alexandre de Moraes - que nega ser íntimo do ex-banqueiro.
A condução coercitiva é um instrumento legal que obrigaria a presença de Martha Graeff perante os senadores. A ação, no entanto, precisa ser debatida entre os membros da CPI. A expectativa é de que isso ocorra na próxima reunião do colegiado, que ainda não tem data definida.
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Rastro digital de Martha Graeff foi interrompido
Apesar da incerteza sobre sua localização física, o comportamento digital de Martha Graeff oferece pistas indiretas. Conhecida por manter presença constante nas redes sociais, a influenciadora interrompeu abruptamente suas publicações após o vazamento de mensagens trocadas com o ex-noivo, o banqueiro Daniel Vorcaro.
O silêncio contrasta com o histórico recente: até o início de março, Graeff publicava regularmente conteúdos ligados a estilo de vida e bem-estar. Desde então, seu perfil no Instagram permanece sem atualizações, mesmo diante da crescente repercussão do caso.
Paradoxalmente, o engajamento aumentou. Em poucas semanas, o número de seguidores saltou de cerca de 600 mil para aproximadamente 712 mil, indicando que a exposição do caso ampliou o interesse público em torno de sua figura — ainda que ela própria tenha optado por não se manifestar.
Mudanças no perfil e estratégia de imagem
Outro elemento que chama atenção é a alteração nas informações públicas de seu perfil. Martha removeu referências à sua marca, a Happy Aging, o que pode indicar uma tentativa de dissociar sua imagem pessoal de atividades comerciais em meio à crise.
A estratégia, no entanto, não foi replicada integralmente no ambiente digital: o perfil da empresa segue ativo e com publicações frequentes, sugerindo que o negócio continua operando, apesar do afastamento da fundadora das redes.
Ausência que pesa na CPI do Crime Organizado
A falta de localização clara e a ausência de resposta oficial têm impacto nos trabalhos da CPI do Crime Organizado. Senadores avaliam que o depoimento da influenciadora Martha Graeff pode ajudar a esclarecer conexões ainda nebulosas entre relações pessoais e possíveis desdobramentos financeiros investigados.
Os senadores Marcos do Val e Alessandro Vieira, autores dos requerimentos de convocação da influenciadora, argumentam que o depoimento de Martha é importante especialmente no que diz respeito à circulação de recursos e eventuais irregularidades associadas ao banco.
Nos documentos que embasaram a convocação, parlamentares destacam que Graeff teria mantido proximidade com Vorcaro, inclusive em período relevante para os fatos investigados.
Mensagens trocadas entre ambos, que vieram a público recentemente, reforçaram o interesse da CPI em ouvi-la. Para os senadores, o conteúdo dessas conversas pode fornecer elementos adicionais sobre a dinâmica de relações pessoais e profissionais que orbitam o núcleo do caso, considerado estratégico para o avanço das investigações.
Um dos casos relatados pelos senadores é o fato de Martha Graeff ter sido informada, em tempo real, sobre o teor de uma reunião extraoficial realizada no Palácio do Planalto, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros e o então indicado à presidência do Banco
Central, Gabriel Galípolo.
"Ela recebeu esse relato no exato momento em que ele ocorria e pode, portanto, iluminar aspectos que nenhum outro depoente reuniria condições de detalhar: os objetivos que Vorcaro perseguia, as expectativas que expressou e as conclusões que tirou da reunião", afirmou o senador Alessandro Vieira ao justificar o requerimento de convocação de Martha.









