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Tramitam na Câmara dos Deputados pelo menos 39 projetos de lei e propostas de emenda que buscam limitar o poder de ação do Supremo Tribunal Federal (STF). As iniciativas surgem em meio à crise entre a Corte e os parlamentares, principalmente de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e miram decisões judiciais, condutas de ministros e prerrogativas do Congresso.
De acordo com um levantamento publicado pela Folha de S. Paulo neste domingo (25), a maioria das propostas é de autoria de parlamentares da oposição, especialmente do PL, mas há textos apresentados por partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da esquerda. Os projetos tratam de temas como prisão de deputados, decisões monocráticas, uso de dados do (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) Coaf e atuação pública dos ministros do STF.
Entre as medidas mais sensíveis estão sete projetos que definem crimes de responsabilidade para magistrados e estabelecem regras para impeachment por condutas como manifestações políticas. Um deles prevê responsabilização criminal por declarações que “maculem a imagem do STF”, ampliando o alcance de punições contra ministros.
Do total, 13 propostas foram apensadas a outras já em tramitação, enquanto 10 aguardam despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Outras 12 estão em comissões à espera de relator ou parecer, uma depende da criação de comissão temporária e outra já está pronta para entrar na pauta da Comissão de Administração e Serviço Público.
Veja, abaixo, quais partidos apresentaram propostas que restringem a atuação do STF:
- PL: 14 projetos;
- União Brasil: 9;
- Republicanos: 4;
- PSD: 4;
- PP: 3;
- Novo: 3;
- PSOL: 1;
- Cidadania: 1.
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Propostas avançadas no Congresso
De todas elas, duas iniciativas avançaram mais rapidamente no processo legislativo. A primeira, de Caroline De Toni (PL-SC), amplia a competência dos estados para legislar sobre armas de fogo e está pronta para votação em plenário, contrariando entendimento do STF que atribui o tema exclusivamente à União.
A segunda proposta, enviada ao Senado em dezembro, restringe medidas cautelares decididas de forma monocrática no STF. O texto obriga que decisões individuais sejam submetidas automaticamente ao colegiado, mantendo efeitos imediatos, e foi apresentado por Marcos Pereira (Republicanos-SP), com elaboração de juristas liderados pelo ministro Gilmar Mendes.
Mesmo partidos de esquerda participam do movimento, como o PSOL, que apresentou projeto criando um código de conduta para ministros do STF. A ideia ganhou força após desgastes recentes envolvendo magistrados e pode esvaziar iniciativas mais duras sem gerar conflito direto entre os Poderes.
Idas e recuos
No fim do ano passado, Gilmar Mendes decidiu que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia pedir impeachment de ministros, mas recuou dias depois após acordo com o Congresso. O episódio reforçou a reação parlamentar e impulsionou novas propostas para limitar decisões individuais da Corte.
Outros projetos tratam do chamado “ativismo judicial” e da atuação de ministros em redes sociais e eventos públicos. O PL 302/2023, do deputado Capitão Alden (PL-BA), afirma que “é perceptível o discurso e a participação de ministros em ambiente estritamente político-ideológico, sob o argumento de defesa das instituições democráticas”.
Há ainda propostas para submeter decisões judiciais que afastem parlamentares ao crivo da Câmara, além de PECs e PLPs que autorizam o Congresso a sustar decisões do STF. Em outra frente, projetos buscam extinguir “crimes de opinião”, sob o argumento de que “muitas pessoas têm sido processadas injustamente por emitir opiniões políticas ou se oporem a ações do governo”.
O embate também alcança a regulação das redes sociais e a execução do Orçamento, incluindo emendas parlamentares. Os deputados Caroline De Toni (PL-SC) e Antônio Carlos Nicoletti (União-RR) lideram em número de propostas, com sete projetos cada.








