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Fraude no INSS

PF marca depoimento de amiga de Lulinha sobre fraude bilionária no INSS

Eduardo Girão
Senador Girão mostra reprodução de uma postagem de Roberta Luchsinger em uma rede social durante sessão da CPMI em dezembro de 2025. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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A Polícia Federal marcou para a próxima quarta-feira (20) o depoimento da empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga pessoal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como “Lulinha”), e citada com ele nas apurações sobre a fraude bilionária contra aposentados e pensionistas do INSS.

O depoimento de Roberta é considerado estratégico para esclarecer a relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema, e Lulinha. A apuração foi informada primeiro pela CNN Brasil e pelo Estadão e confirmada à Gazeta do Povo pela defesa da empresária.

Documentos da Operação Sem Desconto indicam que empresas ligadas ao “Careca do INSS” teriam transferido cerca de R$ 1,5 milhão para a RL Consultoria e Intermediações Ltda., da qual Roberta é sócia. A Polícia Federal apura se os valores correspondiam a serviços reais ou se poderiam ter sido usados como repasses indiretos a terceiros, com menções que envolvem o nome de Lulinha.

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Mensagens analisadas pelos investigadores citam expressões como “o filho do rapaz”, o que elevou o nível de atenção sobre as conexões pessoais e financeiras investigadas. Além disso, há registros de que ex-colaboradores mencionaram supostos repasses recorrentes a Lulinha, incluindo uma “mesada de cerca de R$ 300 mil”, informação que ainda é tratada como parte de depoimentos e não como conclusão oficial do inquérito.

A investigação também apura se Roberta teria usado sua relação de proximidade com Lulinha para facilitar acessos a órgãos públicos, como Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em projetos ligados a cannabis medicinal e telemedicina. Relatórios da CPMI do INSS apontam a possível utilização de “capital político” associado ao sobrenome presidencial em articulações de interesse empresarial.

Apurações mostram que a empresária mantém uma relação de amizade próxima com o filho do presidente, com quem teria realizado ao menos seis viagens entre 2024 e 2025, incluindo deslocamentos nacionais e internacionais. Registros indicam até reservas feitas sob o mesmo código localizador, além de referências de proximidade familiar.

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Durante as apurações da CPMI do INSS, a defesa de Roberta negou qualquer irregularidade e afirmou que todos os valores recebidos são compatíveis com serviços prestados de forma regular. À reportagem, os advogados afirmaram que ela estava à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

Desde que a suspeita de envolvimento de Lulinha com a fraude no INSS veio à tona, o presidente Lula defendeu que o empresário deve se explicar para não deixar dúvidas.

“Eu chamei meu filho aqui [no Palácio do Planalto], e eu falo isso pra todo mundo: olhei no olho e disse [que] ‘só você sabe a verdade’. ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade”, afirmou em uma entrevista em fevereiro.

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