
Às vésperas de um julgamento decisivo no TSE, a aliança entre União Brasil e Progressistas sofre resistências de parlamentares. O movimento, liderado pelo deputado Mendonça Filho, aponta entraves regionais que podem inviabilizar a união das siglas para as eleições de 2026.
O que motivou o pedido de cancelamento da federação?
O deputado federal Mendonça Filho (União-PE) formalizou o pedido alegando que a aliança já apresenta conflitos e indefinições em diversos estados antes mesmo de ser oficializada. Ele argumenta que essas divergências regionais prejudicam a organização das chapas para as próximas eleições e colocam em risco a estabilidade dos partidos, defendendo que a viabilidade da federação seja reavaliada com urgência pela Executiva Nacional.
Como funcionaria essa nova federação partidária?
Uma federação partidária obriga os partidos a atuarem como se fossem uma única legenda por pelo menos quatro anos. No caso do União Brasil e do PP, a união criaria o maior bloco político do país, com 103 deputados federais, 12 senadores e cerca de 1,3 mil prefeitos. O principal objetivo das cúpulas nacionais é centralizar o poder político e garantir o acesso a um montante aproximado de R$ 900 milhões do fundo eleitoral.
Quais são os principais pontos de conflito nos estados?
As disputas ocorrem principalmente onde os dois partidos são adversários locais. Em Pernambuco, há impasse sobre o apoio à governadora Raquel Lyra. Em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e na região Nordeste, parlamentares relatam que as siglas ocupam campos opostos, o que torna a convivência obrigatória muito difícil. Muitos líderes locais sentem que a aliança foi decidida pela cúpula nacional sem considerar as realidades políticas regionais.
Qual é o prazo para que a federação seja válida em 2026?
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem um julgamento marcado para a próxima quinta-feira, dia 26 de março. Para que a federação tenha validade jurídica e possa disputar as eleições gerais de 2026, o registro precisa ser aprovado e validado pela Corte até o dia 4 de abril. O processo está sendo analisado pela ministra Estela Aranha e já conta com um parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.
Existe o risco de os partidos perderem parlamentares?
Sim. Analistas políticos apontam que a incerteza e a centralização excessiva das decisões podem provocar uma 'revoada' de parlamentares. Com a proximidade da janela partidária — período em que políticos podem trocar de legenda sem perder o mandato —, partidos como o PL e o Republicanos já estão sondando nomes insatisfeitos, especialmente do União Brasil, que temem perder espaço político ou recursos se a federação for confirmada.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









