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Para entender

Por que o Brics enfrenta uma crise de relevância internacional?

Lula e Ramaphosa, membros dos Brics, se reuniram em Brasília em meio ao conflito no Oriente Médio. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O bloco diplomático Brics enfrenta uma crise de coesão após membros como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes entrarem em conflito direto. O impasse gera dúvidas sobre a estratégia do Brasil de apostar no grupo para projetar liderança global em meio ao silêncio do bloco sobre os ataques.

O que causou a atual crise interna nos Brics?

A crise foi desencadeada por conflitos armados entre os novos integrantes do grupo. O Irã tem realizado bombardeios contra a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Como o bloco não possui mecanismos para mediar guerras entre seus próprios membros, a falta de um posicionamento conjunto expôs a fragilidade política da aliança, que antes focava apenas em críticas ao Ocidente.

Como a expansão do grupo afetou sua união?

A entrada de países com rivalidades históricas e interesses opostos dificultou a coordenação. Enquanto membros fundadores como China e Rússia têm grande peso econômico e militar, o grupo agora abriga nações que disputam influência regional no Oriente Médio. Analistas apontam que o Brics deixou de ser um bloco com características semelhantes para se tornar uma união de países muito diferentes entre si.

Qual é a posição do governo brasileiro diante desse cenário?

O presidente Lula continua apostando no fortalecimento do Brics como eixo central da diplomacia brasileira, buscando projetar o país como líder do 'Sul Global'. No entanto, em encontros recentes com outros líderes do bloco, como o presidente da África do Sul, o grupo não foi citado como um instrumento para negociar a paz, evidenciando que até os fundadores duvidam da capacidade política da organização no momento.

O bloco ainda mantém seus objetivos econômicos?

Apesar da desorganização política, o foco econômico ainda é mencionado, como a tentativa de reduzir a dependência do dólar. Contudo, há divergências profundas: a Índia resiste em discutir a substituição da moeda americana, enquanto a Rússia pressiona por sistemas alternativos de pagamento. Essa falta de sintonia estratégica sugere que o bloco funciona hoje mais como um espaço de retórica do que de entrega real.

O Brics pode ser considerado uma aliança militar ou geopolítica?

Não. Especialistas avaliam que o grupo é muito bom para 'oportunidades de fotos', mas carece de instrumentos institucionais para agir como um ator geopolítico real. A assimetria de poder é enorme, com a China e a Rússia dominando as decisões, enquanto os membros menores não possuem influência suficiente para contrabalançar as potências ocidentais ou a Otan.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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