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Mudança no texto

Procuradores criticam trecho de PEC que propõe fim de aposentadoria como punição

Dino propôs PEC enquanto era senador. Após ser nomeado ministro do STF, derrubou aposentadorias compulsórias com decisão monocrática.
Dino propôs PEC enquanto era senador. Após ser nomeado ministro do STF, derrubou aposentadorias compulsórias com decisão monocrática. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota nesta quarta-feira (18) criticando alterações na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2024, que preveem o fim da aposentadoria compulsória como punição a magistrados. A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado estava prevista para a mesma data, mas foi adiada para que ocorra uma audiência pública no dia 1º de abril.

Para a ANPR, "a pretexto de vedar a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar", as emendas "avançam sobre o núcleo da garantia constitucional da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da Magistratura".

A entidade não detalhou a linha de raciocínio, mas defendeu que a vitaliciedade do cargo não é um privilégio, mas uma "garantia instituída em favor da cidadania, como proteção contra perseguições, retaliações e interferências indevidas sobre aqueles a quem a Constituição confiou funções essenciais à Justiça".

O texto foi apresentado pelo então senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Já na Corte, o magistrado derrubou a possibilidade de que o juiz sancionado deixe de trabalhar e continue recebendo salário como suposta punição.

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Relatada por Eliziane Gama, PEC recebeu emenda de Sergio Moro que restringe fim da aposentadoria compulsória como punição apenas em casos graves.Relatada por Eliziane Gama, PEC recebeu emenda de Sergio Moro que restringe fim da aposentadoria compulsória como punição apenas em casos graves. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A PEC recebeu duas emendas, dos senadores Sergio Moro (União-PR) e Rogério Carvalho (PT-SE). Elas propõem que o texto especifique o fim da aposentadoria compulsória apenas nos casos de sanções graves. "A restrição é necessária pois o processo disciplinar pode ser desvirtuado e utilizado de forma indevida, com o objetivo de perseguir magistrados e membros do Ministério Público que atuem com independência e probidade, colocando em risco garantias institucionais essenciais ao exercício de suas funções e ao próprio Estado de Direito", justifica Moro.

As emendas foram aceitas pela relatora, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e classificadas como de redação, ou seja, sem alterar a substância da proposta. Em entrevista ao UOL News, ela alegou que a nova regra constitucional combateria uma "casta" que estaria sendo premiada com a aposentadoria, em vez de punida.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a ANPR em busca de mais detalhes. De acordo com o procurador Danilo Dias, diretor de Assuntos Legislativos, os cargos no Judiciário e no Ministério Público são vitalícios para evitar represálias em decorrência da atuação. A entidade defende que apenas decisões judiciais poderiam levar à demissão, e não uma decisão da corregedoria ou do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que é permitido no novo texto. O procurador reforça que a ANPR não se opõe ao fim da aposentadoria compulsória em si, mas à sua determinação pela via administrativa.

"As alterações promovidas no relatório, contudo, [...] passam a atingir a própria estrutura constitucional desenhada para assegurar a independência funcional de juízes e membros do Ministério Público, ampliando de modo preocupante a exposição dessas carreiras a pressões externas e ingerências indevidas", argumenta a entidade.

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