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"Emenda Master"

Proposta de Ciro que multiplicaria lucros do Master foi redigida pela assessoria do banco

Decisão de André Mendonça detalha que "emenda Master" foi enviada a senador em envelope.
Decisão de André Mendonça detalha que "emenda Master" foi enviada a senador em envelope. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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Na decisão em que determinou busca e apreensão na casa do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça citou a conclusão da Polícia Federal (PF) de que uma emenda assinada pelo parlamentar teria sido redigida pela assessoria do Banco Master. Após a divulgação da proposta na ficha de tramitação, o dono da instituição, Daniel Vorcaro, teria celebrado: "saiu exatamente como mandei".

Conhecido como "emenda Master", o texto surgiu em uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca elevar a autonomia do Banco Central (BC), já prevista em uma lei complementar sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A emenda nº 11, apresentada em 2024, buscava ampliar o tamanho de cada investimento coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Atualmente, se um banco for liquidado, cada pessoa física ou jurídica tem direito a ser ressarcida em até R$ 250 mil. Caso passasse, a "emenda Master" ampliaria a cobertura para R$ 1 milhão.

A mudança teria impacto direto na atratividade a investimentos, sobretudo aos bancos que utilizam a garantia do FGC como chamariz em suas peças publicitárias. Com o alívio maior aos investidores, interlocutores da instituição liquidada previram à PF que o lucro "sextuplicaria", causando uma "hecatombe" no sistema financeiro.

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Eduardo Velloso apresentou contraponto ao objetivo da "emenda Master". Divulgação de garantia do FGC pode sofrer restrições. Eduardo Velloso apresentou contraponto ao objetivo da "emenda Master". Divulgação de garantia do FGC pode sofrer restrições. (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

Em fevereiro, o deputado federal Eduardo Velloso (Solidaridade-AC) apresentou um projeto de lei para proibir que a cobertura pelo FGC seja utilizada em propagandas como garantia de sucesso.

"O projeto não impede a divulgação de informações técnicas sobre a existência da cobertura do FGC, mas estabelece parâmetros para que essa comunicação não induza o investido em erro e seja feita de modo proporcional e claro", justifica Velloso.

O projeto está na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, aguardando o parecer da relatora, deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Já a emenda Master foi rejeitada no parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM).

"Atualmente, o limite de R$ 250 mil de garantia ordinária cobre mais de 99% dos depósitos e investimentos em produtos elegíveis e cerca de 50% dos valores financeiros desses produtos, mesmo patamar verificado nas principais jurisdições", argumentou Plínio.

A PF também menciona envelopes com outras minutas de projeto que teriam sido recolhidas por Vorcaro da casa de Ciro, com o intuito de ocultar a influência.

Como recompensa pela articulação, Nogueira teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil, a disponibilização de cartão para despesas pessoais, financiamento de hospedagem e despesas em hotéis e restaurantes de luxo e a aquisição da Green Investimentos, que foi oferecida por R$ 1 milhão, mesmo valendo R$ 13 milhões.

O que diz a defesa de Ciro Nogueira

Por meio de nota, os advogados repudiaram qualquer "ilação de ilicitude". A defesa diz que o senador está à disposição da justiça para comprovar que não teve qualquer participação nos fatos investigados. Além disso, criticou "medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros", chamando-as de precipitadas e comparando-as ao "uso indiscriminado de delações premiadas".

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