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Bloquei de importações

PT sai em defesa de Cuba e classifica ordem de Trump sobre petróleo como ‘ameaça criminosa’

Fila em posto de combustíveis em Havana (Foto: Ernesto Mastrascusa/EFE)

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Em nota divulgada pela Executiva Nacional neste sábado (31), o Partido dos Trabalhadores (PT) reagiu à ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pode resultar em um bloqueio das importações de petróleo de Cuba. O PT classificou a medida como "ameaça criminosa", adotando um tom ideológico que ignora o histórico autoritário do regime cubano.

A ordem executiva assinada por Trump na quinta-feira (29) classifica Cuba como "ameaça não usual e extraordinária" e dá a ele a possibilidade de aplicar tarifas de comércio contra países que venderem petróleo e seus derivados a Cuba.

No texto, o partido afirma prestar “total apoio à República de Cuba ante as ameaças sofridas pela administração de Donald Trump” e diz defender “a soberania e a autodeterminação do povo cubano”, sem qualquer menção às restrições políticas e civis impostas pelo governo da ilha à sua própria população.

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A nota acusa os Estados Unidos de agressões diretas na América Latina, ao afirmar que, “após invadir a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o governo estadunidense avança ainda mais sobre a América Latina”. A declaração é usada como base para classificar o bloqueio econômico contra Cuba como um “bloqueio unilateral criminoso há mais de 65 anos”, responsabilizando exclusivamente Washington pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelo país caribenho.

O PT vem adotando posições ideológicas mais contundentes que as do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos anos, especialmente em defesa da Venezuela.

Ao comentar as falas de Trump, o PT sustenta que o governo norte-americano busca “sufocar totalmente a economia cubana” e impedir a chegada de combustíveis à ilha, o que, segundo o partido, “equivale a impedir o comércio humanitário com a ilha”. A legenda reafirma sua posição histórica ao declarar que seguirá defendendo “o povo cubano, seu direito à autodeterminação, sua soberania, a Revolução Cubana e seus ideais de justiça social”, reforçando um alinhamento político que desconsidera críticas internacionais recorrentes ao regime de Havana.

Segundo estimativa do jornal Financial Times, os estoques de petróleo de Cuba devem acabar entre duas e três semanas. O governo de Trump já apreendeu sete navios petroleiros que haviam sido mandados pela Venezuela, de forma ilegal segundo Washington.

As tarifas podem funcionar como um bloqueio de fato às importações de petróleo de Cuba. Após a decisão de Trump, o México afirmou ter cancelado a próxima remessa que faria a Havana.

Trump nega buscar o colapso do regime, mas afirma que “a ilha não conseguirá sobreviver”, enquanto dados do setor indicam que as reservas cubanas garantiriam combustível por apenas algumas semanas.

O impacto é direto porque Cuba depende fortemente de importações: produz cerca de 40 mil barris por dia, mas consome mais de 100 mil. Com o fim das remessas da Venezuela após ações dos EUA naquele país, o México passou a ser o principal fornecedor.

Em Havana, a reação foi imediata. O presidente Miguel Díaz-Canel acusou Washington de tentar estrangular a economia cubana, enquanto o chanceler Bruno Rodríguez classificou a decisão como uma escalada baseada em “chantagem e coerção”.

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