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Relações privilegiadas

Mensagens mostram que Lulinha orientou Roberta Luchsinger a emitir nota fiscal para investigado

Lulinha
Eduardo Girão (Novo-CE) mostra foto de Lulinha durante sessão da CPMI do INSS. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens em que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trata de negócios com a lobista Roberta Luchsinger, sua amiga e investigada por suspeita de tráfico de influência. Nestas mensagens, ele orienta a emissão de uma nota fiscal para cobrar um empresário, que também é alvo das investigações.

Nestas comunicações, encontradas pela PF mediante quebra de sigilo, há indícios de que ela também teria comprado joias para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do petista.

As apurações do jornal O Globo e do site Metrópoles, citam as mensagens encontradas pela Polícia Federal e que mostram uma proximidade entre a lobista e as pessoas ligadas a Lula, diferente do que as versões oficiais dadas por eles ou suas defesas procuraram apresentar quando questionadas.

À Gazeta do Povo, a defesa de Roberta Luchsinger afirmou que não se pronunciaria devido ao sigilo dos autos dos processos. Já a de Lulinha alegou “instrumentalização” das instituições por “interesses políticos e eleitorais” (veja na íntegra mais abaixo).

De acordo com as mensagens que as reportagens tiveram acesso, no dia 23 de julho de 2023 Lulinha orienta para a semissão de uma nota. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, o filho do presidente comemora.

No dia 22 de março de 2024, Roberta diz a Lulinha que os dois “trabalham em nível diferenciado” e que “nosso futuro é Suíça”. Na mesma comunicação, o filho do presidente menciona reuniões com Marcola e Swedenberger Barbosa, o Berger, secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A PF também encontrou conversas que mostram Roberta discutindo diretamente com Marcola a compra de joias. No dia 29 de abril de 2024, véspera do Dia das Mães, ele enviou referências das peças que queria e, depois de receber fotos de um par de solitários e de um colar de diamantes, respondeu “boa”, como se tivesse consentido com a aquisição.

Segundo informações divulgadas a partir da investigação, a compra teria custado R$ 9,2 mil e sido paga por Roberta. A Polícia Federal suspeita que presentes, pagamentos de contas e outras despesas bancadas pela lobista fossem usados para garantir acesso e influência junto a Marcola, que ocupava a chefia de gabinete de Lula.

As mensagens também mostram uma discussão sobre Fernando Bittar, identificado pelos investigadores como o “Fernando” ou “Fefe” citado nas conversas. Roberta acusa Bittar de usar o nome de Lulinha para tentar fechar um “negócio gigante” na Telebras e afirma que, se ele fizesse negócio com o presidente da estatal, não faria negócios com ela.

  • “Já desmentiu?”, pergunta Lulinha;
  • “Desmenti e falei q não eh verdade e q se ele [Fernando Bittar] fizer negócio com ele [presidente da Telebras], ele não fará comigo”, responde Roberta.

Roberta também teria recebido R$ 1,5 milhão em repasses do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, segundo a investigação. Em uma transferência, Antunes teria indicado que um montante de R$ 1,1 milhão seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que a Polícia Federal avalia como possível referência a Lulinha.

Inquéritos de Lulinha

O material levou a autoridade policial a pedir um novo inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de tráfico de influência. Ao todo, são três apurações abertas contra o filho do presidente Lula:

  • Primeiro inquérito: Apura a suposta atuação de Lulinha junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da presidência para favorecer a comercialização de cannabis medicinal, com suspeitas de tráfico de influência;
  • Segundo inquérito: Investiga se ele intercedeu ou tentou favorecer empresários em negociações com a Dataprev e outros órgãos do governo federal;
  • Terceiro inquérito: Apura suspeitas de negócios ilícitos e tráfico de influência envolvendo órgãos federais, desdobrando-se a partir de achados vinculados a investigações paralelas.

Mais recentemente, a defesa de Lulinha afirmou que ele vive em "condições precárias" na Espanha e trabalha exclusivamente na iniciativa privada, sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro. “Vive de forma digna, exclusiva e modesta com o resultado do seu próprio trabalho”, disseram os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori.

Os defensores também afirmaram que a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Lulinha demonstra “a ausência absoluta de qualquer prova ou indício de irregularidade”.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse a defesa de Lulinha sobre as supostas conversas com Roberta Luchsinger:

Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional – crime previsto no art. 325 do Código Penal –, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria.

A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo.

Importante reiterar, entretanto, que embora não se possa confirmar a veracidade das informações repassadas criminosamente a este Portal de notícias, solicitaremos, uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais.

A defesa reitera que solicitará aos ministros do STF André Mendonca e Flávio Dino, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, rigorosas apurações do possivel envolvimento de servidores, agentes e delegados, em vazamentos seletivos e criminosos.

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