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Liderança do governo

Saída de Jaques Wagner expõe dificuldade de Lula em se desvincular do escândalo do Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou na quarta-feira (24), pelas redes sociais, a saída da liderança do governo no Senado. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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A saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, anunciada após ele ser incluído entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, foi interpretada por aliados e adversários como uma tentativa do Palácio do Planalto de conter os danos políticos provocados pelo caso Banco Master. O gesto, no entanto, não foi suficiente para afastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da crise, segundo analistas e parlamentares da oposição.

Após uma reunião de cerca de duas horas com Lula no Palácio da Alvorada, Wagner informou que deixaria o cargo “em comum acordo” com o presidente para se dedicar à sua defesa e “provar sua inocência”. Menos de 24 horas depois, Lula anunciou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado.

A troca no comando da articulação política da Casa, porém, não encerrou o debate sobre os impactos da investigação para o governo. Uma decisão do ministro do Supremo André Mendonça revelou que a Polícia Federal suspeita que Jaques Wagner tenha usado sua atuação parlamentar para favorecer o Master.

Já diálogos publicados pelo jornal O Estado de S.Paulo entre Vorcaro e um diretor do Banco Master levaram alguns políticos e analistas a concluir que o senador seria o elo entre uma suposta interlocução do ex-banqueiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O contexto da conversa é que o diretor diz: "Unica coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs". Vorcaro responde:  “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”. O diretor então diz que falará com Jaques Wagner e com um publicitário amigo dele.

Jaques Wagner negou que suas ações como parlamentar tenham favorecido Vorcaro ou o Master. Ele disse ao Estado de S.Paulo que “não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi”. Também disse: “Não existiu intermediação e não existe relação”.

“A saída de Jaques Wagner era previsível. Imprevisível é o preço de sua saída pacífica. E sua queda não pode servir para abafar que as investigações apontaram Wagner como intermediário entre Vorcaro e Lula. Intermediário de quê? Para quê? Respostas que ainda precisam ser dadas”, afirmou o advogado e analista político André Marsiglia.

Marsiglia avalia, porém, que a saída do senador está longe de encerrar a crise e questiona se a medida será suficiente para impedir novos desdobramentos da investigação.

"Essa é a grande questão do momento. Se a saída de Jaques Wagner foi suficiente para estancar as investigações do caso Master. Eu enxergo isso em duas frentes. A cúpula da Polícia Federal, muito ligada ao governo Lula, sem dúvida vai trabalhar para que a saída do Jaques Wagner ampute a possibilidade de que as investigações cheguem ao governo. Mas a base dos investigadores seguirá adiante com essas apurações", afirmou.

Segundo ele, o avanço das investigações pode ampliar tensões institucionais e aumentar a preocupação do governo às vésperas das eleições. "O governo federal está cada vez mais amedrontado com a possibilidade de ser atingido em pleno período eleitoral", disse.

Governo tenta se afastar de desgaste político

Na avaliação do cientista político Tiago Valenciano, o afastamento de Wagner produz um duplo efeito: tenta preservar o governo do desgaste político, mas ao mesmo tempo reforça a associação entre a investigação e o presidente.

“Ele sendo investigado acaba gerando um desgaste por tabela no presidente Lula, não tem como se desvincular. Ao mesmo tempo, há um movimento de proteção em relação à própria investigação”, afirmou.

Segundo Valenciano, em um ambiente pré-eleitoral, qualquer investigação envolvendo figuras centrais do governo tende a ganhar grande repercussão e se transformar em uma pauta permanente para a oposição.

“Não tem como não pensar que a saída de Jaques Wagner tem uma relação eleitoral direta. Conforme nos aproximamos das eleições, mais esse tipo de investigação vai se tornar constante”, disse.

O cientista político também avalia que a saída de Wagner representa uma perda relevante para a articulação política do governo no Senado.

“Jaques Wagner tem experiência, histórico político relevante e é uma figura histórica do PT. O presidente terá de encontrar outro personagem com a mesma envergadura para conseguir fazer essa articulação até o período eleitoral”, afirmou.

Oposição vê tentativa de blindagem

Parlamentares da oposição afirmaram que a troca na liderança do governo não elimina o desgaste político para o Palácio do Planalto.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou que a saída de Wagner “não apaga o escândalo do Banco Master” e “escancara o tamanho da crise instalada dentro do Planalto”.

“Trocar de cadeira não é responder à sociedade brasileira. É uma manobra para tentar conter o desgaste e proteger a imagem do governo Lula em ano eleitoral”, declarou.

Na mesma linha, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) disse que o afastamento tem “mais cara de tentativa de blindagem política do que de punição para seus vínculos suspeitos com o Banco Master”.

Já o deputado Delegado Caveira (PL-PA) afirmou que o governo estaria “cortando cabeças para tentar limpar o Planalto antes das eleições” e voltou a defender a instalação de uma CPMI para investigar o caso.

Apesar das críticas, o governo busca virar a página rapidamente. Ao anunciar Teresa Leitão para a liderança, Lula destacou que a nova líder terá a missão de articular a aprovação de pautas prioritárias para o Executivo, como a PEC da Segurança Pública e o projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

Nos bastidores, contudo, a avaliação é que a mudança de nomes dificilmente encerrará a crise política provocada pelo caso Banco Master. Com um de seus mais antigos e próximos aliados no centro das investigações, o presidente Lula enfrenta o desafio de tentar se distanciar do escândalo sem conseguir impedir que o episódio continue atingindo o coração da articulação política do seu governo.

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