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Crise institucional

Servidores do IBGE entram em greve contra gestão de Márcio Pochmann e cobram diálogo

Presidente da autarquia é apontado como autoritário por representantes do sindicato.
Presidente da autarquia é apontado como autoritário por representantes do sindicato. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Os servidores do IBGE iniciaram nesta segunda-feira (17) uma greve contra a administração do presidente Márcio Pochmann. A presidência tem acumulado atritos com a categoria, que reivindica reajuste salarial, entre outras pautas.

Segundo o sindicato que representa os trabalhadores da autarquia, três núcleos aderiram à paralisação: Bahia e duas unidades no Rio de Janeiro (a sede e a Dipeq). Outros dois núcleos têm indicativo de greve: Mato Grosso e Pará. Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, Chile (RJ) e Canabarro (RJ) estão em estado de greve.

Segundo o sindicato, a pauta inclui:

  • Compromisso firmado em relação ao PGD para os ingressantes do CPNU;
  • Criação de comissões paritárias para discutir o Programa de Gestão e a experiência do concurso unificado;
  • Retorno dos critérios da indenização de campo;
  • Reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários;
  • Eleição do Comitê de Carreira;
  • Negociação dos dias paralisados na greve do núcleo Chile;
  • Reabertura dos canais de diálogo e gestão democrática.

A Diretoria de Geociências do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) emitiu em julho um comunicado restringindo a comunicação com base nos graus hierárquicos e ameaçando punir quem se opusesse. A movimentação fazia parte de um contexto de tensionamento nas relações entre os servidores e a cúpula da autarquia.

"Servidores falarão com gerentes; gerentes falarão com coordenadores; coordenadores falarão com diretores; diretores falarão com diretores e diretores falarão com o presidente [...] Mesmo que discorde ou considere a decisão ineficiente, o servidor deve cumprir. A recusa injustificada inclusive configura falta disciplinar, pois viola os deveres de lealdade, urbanidade e respeito aos níveis hierárquicos da administração pública", disse o comunicado.

Gestão Pochmann é marcada por desentendimento crescente com servidores

Desde que Márcio Pochmann assumiu a presidência a tensão vem escalando. Pochmann tomou posse prometendo atender às reivindicações da categoria. Uma delas era a realização de um congresso institucional, que foi substituído pelo projeto "Diálogos IBGE", rechaçado pelo sindicato por deturpar o formato pretendido — este baseado em procedimentos específicos para a elaboração de um planejamento estratégico.

Em um dos capítulos da crise, os sindicalistas teriam sido chamados de "bolsonaristas" após apresentarem reivindicações a Pochmann durante o aniversário de 88 anos do Instituto. Para os sindicatos, o presidente "recorre ao vocabulário crítico e progressista enquanto, na prática, tenta deslegitimar a organização coletiva e esvaziar a capacidade de resistência de quem ousa discordar".

Procurado, o IBGE não retornou para comentar sobre o atrito da atual gestão com os servidores.

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