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Caso Master

Vorcaro bancou viagens de autoridades ao Gilmarpalooza e a Londres

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, banqueiro do liquidado Banco Master. (Foto: reprodução/Youtube Esfera Brasil)

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O banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, financiou eventos paralelos ao chamado “Gilmarpalooza”, em Lisboa, organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de custear despesas de autoridades brasileiras em outro evento em Londres.

Segundo apurações da Polícia Federal divulgadas nesta sexta-feira (10) pela Folha de S. Paulo, os gastos totais do banqueiro com estes eventos e autoridades no ano de 2024, entre outros, chegaram a US$ 11,5 milhões – cerca de R$ 60 milhões, de acordo com a cotação oficial.

À Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro afirmou que não se pronunciará sobre a nova apuração e aguarda retorno. À Folha de S. Paulo, os demais citados na apuração também foram procurados e parte deles respondeu aos questionamentos da reportagem (veja mais abaixo).

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Em relação ao chamado “Gilmarpalooza”, oficialmente conhecido como Fórum Jurídico de Lisboa, no mês de junho daquele ano, a equipe de Vorcaro organizou uma agenda paralela marcada por festas, DJs, dançarinas, jantares e até compras em shopping.

O pacote incluiu ainda o fretamento de dois jatinhos de Lisboa para Brasília, ao custo de US$ 232,6 mil (R$ 1,2 milhão), utilizados por participantes do evento. As despesas em Portugal somaram cerca de US$ 1,6 milhão (R$ 8,3 milhões), mantendo um padrão de luxo que chamou atenção pela mistura entre compromissos institucionais e entretenimento.

Já sobre o evento em Londres, o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, Vorcaro fez o maior gasto: US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões). A conferência foi realizada entre os dias 24 e 26 de abril de 2024 e contou com o pagamento de hospedagem, estrutura e eventos sociais para cerca de 70 pessoas, embora apenas 25 participassem diretamente dos debates.

Segundo a apuração, a programação incluiu uma noite de homenagem com troféus de cristal ao ex-presidente Michel Temer (MDB), realizada em um museu tradicional da capital inglesa.

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Além do ex-presidente, também chamou a atenção a lista de participantes que viajaram com as despesas pagas pelo banqueiro: os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O envolvimento dos dois últimos não é novo e remonta a apurações anteriores, como a participação de Dias Toffoli em uma empresa dos irmãos que negociou cotas de um resort no Paraná com o cunhado de Vorcaro, e da esposa de Moraes com contrato de R$ 129 milhões com o Master.

Também constam na lista cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Antônio Saldanha Palheiro, Benedito Gonçalves, Luís Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Raul Araújo; o ex-ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública); o advogado-geral da União, Jorge Messias; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) à época, Alexandre Cordeiro.

Representando o Legislativo estavam o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), que agora preside a Câmara, e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. A iniciativa privada tinha dois painelistas, o fundador do Grupo FS, Alberto Leite, e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), representando o banco BTG Pactual.

O que dizem os citados

Procurados, os citados afirmaram que participaram dos eventos dentro de suas atribuições institucionais. A Procuradoria-Geral da República informou que o procurador-geral esteve como palestrante e que o convite não detalhava a organização.

A Polícia Federal declarou que seu diretor-geral participou sem acompanhante e que sua presença “em nada afeta o cumprimento das atribuições constitucionais e legais da Instituição”. Já o ex-ministro Ricardo Lewandowski disse que aproveitou a viagem para cumprir agendas oficiais e firmar acordos internacionais.

O deputado Hugo Motta afirmou que “cabe a cada parlamentar decidir” sobre a participação em eventos, independentemente de quem os organiza. O Cade declarou que a presença em encontros institucionais faz parte de suas funções.

A assessoria de Michel Temer informou que ele exige saber a fonte pagadora quando contratado, mas que, neste caso, foi apenas convidado e homenageado.

Já as outras autoridades e instituições citadas não se manifestaram.

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