

Todos conhecem a famosa convocação marxista: “Proletários do mundo todo, uni-vos!” Marx nunca pisou em um chão de fábrica e era sustentado por um industrial burguês. Não importa: os marxistas em particular e socialistas em geral sempre souberam explorar a insatisfação dessa classe em proveito próprio ou como massa de manobra para destruir os pilares da civilização, que odeiam.
Em A política da prudência, o conservador Russell Kirk dedica um capítulo ao tema. Acredito que seus pontos sejam atuais e mereçam maior reflexão, mesmo por parte daqueles que não concordam totalmente com o diagnóstico ou a receita. Kirk relata a ruína de Detroit com base no avanço da mentalidade proletária. E qual seria esta? Seguem alguns trechos do capítulo que elucidam a questão:
Na acepção romana, um proletarium era um homem que não contribuía à comunidade política com nada, a não ser com a própria prole.
Ocioso, ignorante e muitas vezes criminoso, o proletariado pode arruinar uma grande cidade – e uma nação.
O proletariado não é idêntico aos “pobres”. Embora a maioria dos proletários seja pobre, um homem pode ser rico e, ainda assim, proletário, se não for nada mais do que uma vergonha para a comunidade política, e se tiver a mentalidade de um proletário. Também há muitas pessoas de renda bastante modesta que, mesmo assim, possuem um caráter louvável e são bons cidadãos.
O proletário não é idêntico ao “trabalhador” – de fato, uma das características do proletário é não trabalhar voluntariamente. Fui criado, praticamente, dentro das oficinas ferroviárias Pere Marquette, na periferia de Detroit, meu pai era maquinista de trem e membro do corpo de bombeiro; não éramos proletários, nem o eram meus colegas de escola e seus pais.
O proletariado, em suma, é uma massa de pessoas que perdeu – se é que alguma vez possuiu – a comunidade, a esperança de melhora, as convicções morais, os hábitos de trabalho, o senso de responsabilidade pessoal, a curiosidade intelectual, a participação em uma família saudável, a propriedade, a participação ativa nos assuntos públicos, nas associações religiosas e a consciência de fins ou objetivos da existência humana. A maioria dos proletários vive, tal como os cães, dia após dia, sem refletir.
O proletário busca drogas alucinógenas ou a estupefação de bebidas muito fortes porque não tem nenhum fim ou objetivo na vida. O vício em narcóticos converte pessoas com grandes chances de sucesso em proletários vazios.
O principal trabalho de redenção e reconstrução, porém, tem de vir de pessoas com mentalidade conservadora, que atualmente sofrem, sob a deprimente dominação de demagogos e charlatões – “líderes” autoproclamados que conduzem tolos apenas à condição proletária.
A recuperação de um ensino que tenha como objetivos a sabedoria e a virtude, movido pela imaginação moral, poderia ensinar a geração nascente a buscar na vida algo além de sensações violentas; e poderia incliná-la na direção de uma sociedade do bem comum, em vez da resistência a toda autoridade.
Não é necessário esforço algum para se tornar um proletário: é preciso apenas que a pessoa se submeta às correntes desumanizantes e desculturantes do momento e adore os ídolos da multidão. Muito esforço é necessário para conservar o legado da ordem, da liberdade, da justiça, da erudição, da arte e da imaginação, que deveria ser o nosso. Alguns espíritos malignos, em nome da igualdade, gostariam de ver-nos a todos proletários: a doutrina da miséria igual. O impulso conservador, au contrarie, é o de resgatar tantos homens e tantas mulheres quanto possível de um destino tão insignificante na vida, sem objetivo e sem alegria, que é a condição proletária.



