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E a tortura da esquerda, Verissimo, pode?

Em sua coluna de hoje, o sempre simpático Verissimo fala, meio desconexo do restante do artigo, sobre a falta de escrúpulos da “direita” durante a década de 1960, primeiro com o “golpe”, depois com o AI-5. Quem pode ser a favor da tortura? Quem pode ser a favor do AI-5? Sobre o que se passou em 1964, isso sim, é passível de muita controvérsia, e claramente muita gente decente pode ter sido a favor de um “basta” ao que aqueles comunistas vinham fazendo, sonhando em transformar o Brasil em um “Cubão”.

Mas não é o que pensa Verissimo. Para ele, não há contexto de Guerra Fria, de vermelhos armados e financiados por Moscou lutando para instaurar no nosso país uma ditadura comunista, nada disso. Apenas militares sem escrúpulos que, assim, do nada, de repente, resolveram tomar o poder e começar a praticar torturas. Eis o que diz o sempre engraçadinho colunista:

Há dias, na sua coluna, num texto exemplar como sempre, o Zuenir Ventura lembrava que há 45 anos era assinado o Ato Institucional n° 5, que instaurava a ditadura sem disfarces no Brasil. Congresso fechado, fim dos direitos constitucionais, censura e repressão a valer, poderes absolutos para o governo militar, e que se danassem os escrúpulos. Os escrúpulos não tinham sido suficientes para deter o golpe de 64, mas alguns ainda sobreviveram por quatro anos. O AI-5 acabou com todos. Também é bom e saudável não esquecer o clima de antiesquerdismo furioso que justificou o golpe de 64 e o golpe dentro do golpe de 68. Ser “de esquerda” era um risco, durante o recesso dos escrúpulos. Pode-se imaginar que a renúncia aos escrúpulos entre os que assinaram o AI-5 significasse um drama de consciência para alguns, mas foi a desobrigação com qualquer escrúpulo que liberou a mão do torturador. Com a “abertura” foram restituídos os escrúpulos. Hoje quem é — ou pretende ser — “de esquerda” só se arrisca a ouvir o rosnar da direita, que não parece ser preâmbulo de nada parecido com o que já houve. Mas não custa ficar de sobreaviso, né, Zuenir?

Notem que Verissimo sapeca um “clima de antiesquerdismo furioso” como justificativa para o “golpe”, mas nada fala sobre aqueles marginais armados que desejavam tomar o poder e destruir a democracia, inspirados em Cuba. Será que o responsável pela vida e morte prematura da Velhinha de Taubaté, só para não ter de criticar o PT, nada tem a dizer sobre toda a tortura praticada…. pela esquerda?

Nem uma só palavra sobre o regime cubano? Nunca li o filho do grande escritor Erico falar mal da ditadura dos Castro, que sempre torturou e tortura pessoas inocentes, cujo único “crime” era discordar do socialismo. Por que? Há a “tortura do bem”, por acaso?

Vejam a malandragem do colunista ao transportar para o presente o mesmo “clima de antiesquerdismo furioso” para levantar um alerta para o risco de golpe da “direita”. Nenhuma palavra sobre as tentativas do PT de aparelhar a máquina estatal toda, inclusive o STF, e dar um golpe na democracia de dentro dela? Nada sobre o mensalão, projeto mafioso petista para comprar o Congresso? Nada sobre os bolivarianos que flertam com o modelo venezuelano, onde não há mais liberdade de tipo algum? Por que esse silêncio, Verissimo?

Na sequência do texto, aparentemente sem ligação com o começo, Verissimo vem afirmar que sempre foi careta, mas que defende o governo de Mujica (aquele que falou mal de esquerdistas como Verissimo outro dia), basicamente porque resolveu criar uma estatal da maconha. O colunista gaúcho confessa nunca ter experimentado a droga. Eu acredito. Ele sempre usou drogas bem mais pesadas. Como o marxismo e o socialismo. Que, pelo visto, deixaram sequelas irrecuperáveis…

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