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Rodrigo Constantino

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É, parece que as urnas eletrônicas não são invioláveis e suspeitar de manipulação não é paranoia

Foto: Elza Fiuza

O número de eleitores que participaram da eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) do último domingo na Venezuela foi manipulado. A acusação veio à tona nesta terça-feira pela Smartmatic, empresa que trabalha em pleitos venezuelanos desde 2004.  Conduziu, inclusive, as duas últimas eleições presidenciais: 2006 e 2012, que reelegeram Hugo Chávez. 

A informação foi dada pelo presidente da companhia, de Londres, e repercutida por agências internacionais. De acordo com ele, os números oficiais foram inflados em um milhão. O órgão oficial eleitoral da Venezuela divulgou no início da semana que o comparecimento às urnas foi de 8.089.320 de pessoas.

“Sabemos, sem dúvidas, que o comparecimento da última eleição para a Assembleia Nacional Constituinte foi manipulado”, declarou Antonio Mugica, CEO da Smartmatic. Ainda segundo ele, a fraude foi detectada em razão do sistema eleitoral automatizado usado no país. O executivo se recusou a responder se tal manipulação poderia mudar o resultado final da eleição.

Opa! Quer dizer que as urnas eletrônicas não são invioláveis, e que é perfeitamente factível uma enorme manipulação dos resultados? E quem diz isso é o presidente da própria Smartmatic, “por acaso” a mesma empresa que fornece o sistema ao Brasil? Ou seja, quando a direita levantou suspeitas, após inúmeros indícios, de que pode ter havido fraude em nossas eleições, não era maluquice de reacionário paranoico, afinal de contas?

Recordar é viver:

Em 29 de outubro de 2006 o poderoso matutino The New York Times denunciou que os EUA investigavam a presença das mãos do governo de Chávez num suposto golpe eletrônico em urnas, em vários países. O centro de tudo era a empresa venezuelana Smartmatic. Que, aliás, trabalhou no Brasil prestando seus serviços nas eleições presidenciais de 2014.

Nas eleições presidenciais de 2014 a empresa recebeu um contrato junto ao TSE no valor  de R$ 136.180.633,71 (cento e trinta e seis milhões, cento e oitenta mil, seiscentos e trinta e três reais e setenta e um centavos).

Várias eleições latino-americanas foram decididas por poucos votos, diferenças irrisórias de um ou dois pontos percentuais. Inclusive a vitória de Dilma em 2014. Ou seja, bastava manipular algumas urnas para mudar totalmente o resultado. Lembram quando Aécio Neves já era considerado o vitorioso, com mais de 90% das urnas apuradas? Pois é. Mas suspeitar de fraude já era absurdo, diziam os bolivarianos, os mesmos que defendem Maduro na Venezuela. Leandro Ruschel comentou:

Quando a própria Smartmatic, a empresa envolvida em várias fraudes eleitorais, denuncia a adulteração de resultados eleitorais pelo governo venezuelano, você percebe o quanto esse governo é podre. E também o quanto aparentemente está quebrado, para não ter dinheiro suficiente para silenciar a Smartmatic.

Quem ainda acha que esses comunistas – sim, são comunistas – jogam de acordo com as regras do jogo e não são capazes de cometer os mais escancarados crimes para chegar ou ficar no poder, não entendeu nada sobre a essência dessa gente. É claro que as urnas eletrônicas não são confiáveis! Ou você acha que os americanos optam pelo sistema analógico por falta de capacidade tecnológica? Bobinho…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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