
Pois é, um pouco mais de cautela com os novos heróis, meus caros. O que teve de “libertário” flertando com o presidente do Uruguai não está no gibi. Tudo porque colocam o direito de fumar um baseado acima de muitas coisas mais importantes.
Dando continuidade à sua agenda de reformas, o governo do Uruguai pretende, agora, intrometer-se mais na mídia e regular mais o consumo e a propaganda de bebidas alcoólicas:
Depois de atrair a atenção da opinião pública mundial em 2013 com a legalização da maconha, o governo do Uruguai pretende dar continuidade à sua agenda de reformas sobre temas polêmicos. As duas principais prioridades da coalizão de José Mujica neste ano são a regulação da mídia e da venda de bebidas alcoólicas.
Entre as propostas da Frente Ampla estão o aumento do controle sobre a publicidade e os pontos de venda de álcool. Os legisladores governistas querem proibir, por exemplo, a realização dos “happy hour”, situações em que as bebidas são comercializadas com preços mais baixos.
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“Alguns interesses serão afetados, mas é um problema crescente. Há enormes quantidades de jovens que bebem ocasional ou frequentemente. Com essa medida, completaríamos a tríade de regulações, pois já fizemos isso com a maconha e o tabaco”, afirmou o senador Luis Gallo.
Outros projetos governistas que devem ser discutidos em 2014 são a limitação da compra de terras por empresas estrangeiras e a lei de responsabilidade penal do empregador.
Aquelas sandálias da humildade nunca me comoveram. Socialistas preservam aquele ranço autoritário por muito tempo, mesmo que o discurso fique mais suave um pouco. O ‘libertário” quer vender maconha pelo estado, e controlar também a venda de bebida e a imprensa. No meu dicionário, isso não tem absolutamente nada a ver com liberdade.
A guerra contra as bebidas e o cigarro despertam grande apoio dos esquerdistas, os mesmos que pedem a legalização das drogas. Não é coincidência tal contradição aparente. Os produtores de bebidas e cigarro são vistos como grandes corporações capitalistas, e sempre foram bons anunciantes na mídia (cigarro não pode mais, pois é coisa do Capeta, mas pode cena forte de sexo com jovens ou violência à vontade – só não pode o maldito cigarro).
Anunciantes desse tipo mantêm, sabe como é, uma mídia independente do governo. Isso é inaceitável para os esquerdistas “ungidos”, que desejam controlar cada passo da imprensa. Por isso o ataque tão violento aos ícones capitalistas que produzem cerveja e cigarro.
Mas maconha é diferente. Quem produz são os traficantes, as “vítimas sociais” do “sistema”, ou as Farc, um “movimento social” que apenas seqüestra e mata ocasionalmente porque não tem voz política na democracia fajuta colombiana.
Por isso é que vemos tamanha contradição no discurso de esquerda. O mesmo cara que pede a liberação das drogas condena a liberdade dos produtores de cigarro e bebidas. O antitabagismo vem lado a lado com a bandeira da legalização das drogas.
De preferência, tudo passará ao controle estatal. Mujica, pelo visto, representa com perfeição esse modelo. Foi ovacionado por uma legião de “libertários” ingênuos, e agora mostra sua verdadeira face autoritária. Quer fumar um baseado? Tudo bem. Compra ali com o estado. Ah, e compra sua bebida ali também, e toda a sua “informação”. Liberdade? Nem aqui, nem em Cuba!



