
Arnaldo Jabor dá uma no cravo, outra na ferradura. Gosto de seus textos que fazem mea culpa dos tempos da juventude comunista, pois ele disseca bem os reais motivadores dessa utopia revolucionária. Por outro lado, quando é para falar dos Estados Unidos, sempre é fácil identificar o velho ranço antiamericano. A idolatria a Obama é sinal disso.
Hoje ele estava no dia de Dr. Jakyll, e não Mr. Hyde. Escreveu um artigo importante sobre os neobolcheviques que prendem o Brasil no atraso, na mediocridade intelectual. Diz ele:
No Brasil, a palavra “esquerda” continua o ópio dos intelectuais. Pressupõe uma “substância” que ninguém mais sabe qual é, mas que “fortalece”, enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres. Temos de usar “progressistas e conservadores”.
Temos de parar de pensar do Geral para o Particular, de Universais para Singularidades. As grandes soluções impossíveis amarram as possíveis. Temos de encerrar reflexões dedutivas e apostar no indutivo. O discurso épico tem de ser substituído por um discurso realista, possível e até pessimista. O pensamento da velha “esquerda” tem de dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica, mais cotidiana. Weber em vez de Marx, Sérgio Buarque de Holanda em vez de Caio Prado, Tocqueville em vez de Gramsci.
Há uma esquerda mais esclarecida e democrática, com a qual os liberais e conservadores precisam dialogar em prol do avanço de nosso país. A social-democracia tem sido responsável pela armadilha de baixo crescimento de nossa economia, sem falar de efeitos morais negativos por retirarem a responsabilidade dos indivíduos.
Dito isso, há espaço para o diálogo com parte dessa social-democracia, aquela mais avançada, justamente que respeita Weber, Sérgio Buarque de Holanda e Tocqueville, em vez de Marx, Caio Prado e Gramsci. Para conter o perigo vermelho que assombra nosso futuro, teremos de nos unir a essa esquerda democrática, contra os bolcheviques, os bolivarianos, os petistas.
Claro que dá certa tristeza quando pensamos no atraso ideológico de nossos debates políticos e econômicos. Mas para chegar em um patamar mais civilizado e avançado, antes será preciso enterrar de vez o risco socialista. Cada coisa a seu tempo, e as prioridades são evidentes. Os psicopatas devem ser domados e retirados da política pelas urnas, assim como expostos pela batalha cultural.
Jabor toca na ferida quando traz Freud para o debate e conclui que o problema não é apenas ideológico, mas mental:
Sem programa e incompetentes, os neobolcheviques só sabem avacalhar as instituições democráticas, com alguns picaretas-sábios deitando “teoria” (Zizek e outros). Somos vítimas de um desequilíbrio psíquico. Muito mais que “de esquerda” ou “ex-heróis guerrilheiros” há muito psicopata e paranoico simplório. Esta crise não é só politica — é psiquiátrica.
Eis a tese defendida por Lyle H. Rossiter em The Liberal Mind, para quem esse esquerdismo denota uma forma de sociopatia. É uma patologia, uma obsessão por controle. Quando falta empatia com o próximo, ele deixa de ser tratado como um agente autônomo e passa a ser visto como simples meio para fins coletivistas abstratos.
A Grande Sociedade, o Povo e o bem-geral são formas de mascarar um profundo sentimento de desprezo para com o próximo. Ocorre então a despersonalização do indivíduo, e sua subjetividade perde importância. O esquerdista deseja moldar os outros, controlá-los, guiá-los, sem se importar com sua singularidade e sua autonomia.
Se o Brasil pretende ser uma pátria livre algum dia, antes terá de superar esse obstáculo vermelho. Nessa batalha, diferenças entre liberais, conservadores e até social-democratas deverão ser deixadas de lado por enquanto, para que os inimigos da democracia possam ser derrotados. Ou isso, ou Venezuela.



