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O Robespierre tupiniquim: Safatle se julga incorruptível, uma temeridade!

Robespierre, o “incorruptível” que tocou o terror na França

“O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, dizia Lord Acton. Mas parece que alguns na esquerda ainda não entenderam o alerta do conservador, que foi feito com base na natureza humana. Os filósofos gregos já sabiam disso também, e a metáfora do Anel de Gyges representa bem isso. Os que preferem exemplos mais modernos podem se referir ao Senhor dos Anéis, com a mesma ideia.

O ser humano, entendem os conservadores, é perfectível, mas jamais será perfeito! Aceitar suas falhas intrínsecas, suas paixões que podem falar mais alto do que a razão, é condição básica para ser realista em qualquer desenho de modelo social. Os comunistas quiseram criar o “novo homem”, totalmente abnegado e coletivista, e conseguiram apenas produzir cem milhões de mortes – e ainda contando. O mecanismo de incentivos é fundamental, justamente porque somos sujeitos às tentações da cobiça, do poder.

Aceitar essa obviedade não é – não pode ser – o mesmo que inocentar os indivíduos que praticam delitos, crimes, cedem à corrupção no poder etc. Culpar o “sistema” seria tão absurdo quanto ignorar o contexto completamente. Outra bandeira típica da esquerda, aliás: a culpa é sempre de abstrações coletivas, da “sociedade”, da “burguesia”, do “sistema”, do “capitalismo”. Falso. Totalmente falso. O sistema influencia, como aquele que concentra poder demais em poucos seres humanos, e o indivíduo faz diferença, podendo sucumbir ou não (mais raro).

Robespierre se considerava um “incorruptível”. Colocava-se, assim, acima do bem e do mal. Deu no que deu: o Terror das guilhotinas, degolando cabeças e mais cabeças, todas culpadas por não serem tão “perfeitas” como o revolucionário jacobino. Recomendo a todos a biografia dessa figura fundamental da Revolução Francesa escrita por Ruth Scurr, cujo título já resume de forma sucinta a imagem desse perigo: “Pureza Fatal”.

Mas eis que já temos nosso candidato a Robespierre tupiniquim. Sim, o “intelectual” Vladimir Safatle, em sua coluna de hoje na Folha, tece elogios ao “incorruptível”, após colocar no mesmo saco os escândalos de corrupção do PT e do PSDB (tudo o que os petistas mais querem, depois de terem institucionalizado a corrupção no país, utilizado-a para destruir a democracia e a levado a um patamar jamais visto antes na história deste país). Safatle discorda de Acton, e acha que o poder não muda ninguém.

Sim, eu mesmo já defendi aqui que o PT não mudou exatamente no poder, que lá foi apenas revelado. Mas isso eu disse por conhecer a história do PT, não por achar que tanto poder, de fato, é incapaz de mudar as pessoas. O PSOL de Safatle, que é apenas o PT de ontem, não aprendeu nada, e acha que o problema da esquerda foi apenas o uso das pessoas erradas. Se ao menos os verdadeiros socialistas chegassem lá, e não José Dirceu e companhia…

O nosso “incorruptível” quer bancar o Robespierre mesmo, até nos métodos, e dá a seguinte solução para a corrupção: “Ela só terminará quando o último corrupto petista for enforcado nas tripas do último corrupto tucano”. Sutil, amoroso, comovente. E depois é a direita que acaba acusada de agressiva, violenta, fomentadora do ódio. Nosso Robespierre tupiniquim é quase um Gandhi. E claro, tudo não passa de “figura de linguagem”, a mesma desculpa usada pelo presidente da CUT, que convocou seus “soldados” às armas bem diante da presidente Dilma, que se calou, consentindo com a ameaça à democracia brasileira.

Safatle, o nosso Robespierre tupiniquim, inspirado em Lenin, outro “incorruptível” que tocou o terror na Rússia

Robespierre “não fazia o jogo da direita”, e por isso Safatle gosta tanto dele. Ao contrário de Dirceu, que se vendeu para o “sistema”, o jacobino verdadeiro jamais aceitaria isso. Em troca, ele provavelmente adotaria a guilhotina, matando no atacado, como fez outro guru de nosso “intelectual”, seu xará Vladimir Lênin, que também não se curvou diante do “sistema” – preferiu uma guerra civil que ceifou a vida de milhões de inocentes, e mandava seus soldados meterem balas na nuca dos pequenos proprietários de terra. Proprietários que Safatle condena:

Em um país que sempre teve de aturar uma elite rentista e ociosa, que vive de “patrimônios” e é especializada em tomar de assalto o bem público como se fosse posse privada, socializando dívidas e privatizando ganhos, ser revolucionário começa por ter decência em relação à função pública e ter respeito absoluto pelo bem comum. Por isso, vale a pena começar a governar devolvendo a diária do segundo quarto. 

Resta saber se Safatle, ele mesmo herdeiro de fazenda, pretende devolver as suas propriedades, doá-las ao MST. Ou se vai, em nome do bem público, devolver seu salário da USP, usado para pregar o socialismo fracassado para os pobres alunos indefesos.

Mas esse não é nem o caso aqui. Ao contrário dessa esquerda revolucionária “purista”, ou seja, do PT de ontem, os conservadores e liberais partem de uma premissa mais realista da natureza humana, e por isso clamam por punição a todos os corruptos, não enforcamento com tripas, mas a prisão prevista na lei mesmo, e também defendem uma redução do poder estatal, para que os incentivos não sejam tão inadequados. Não somos, ao “contrário” de Safatle, incorruptíveis.

Rodrigo Constantino

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