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Rodrigo Constantino

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Caso Master

Casal Moraes na defensiva

Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, durante cerimônia de posse do ministro como presidente do TSE. A revelação da prestação de serviços da advogada ao Banco Master reacendeu o debate sobre a participação de parentes de ministros como advogados em ações nos tribunais superiores.
Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, durante cerimônia de posse do ministro como presidente do TSE. A revelação da prestação de serviços da advogada ao Banco Master reacendeu o debate sobre a participação de parentes de ministros como advogados em ações nos tribunais superiores. (Foto: Antônio Augusto/STF)

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O advogado André Marsiglia resumiu bem a situação: “Estamos diante de uma encruzilhada incontornável: ou a Globo mente sobre Moraes, ou Moraes mente sobre as reportagens da Globo. Se a Globo mente, por que não está respondendo, como tantos responderam, no inquérito das fake news? Se Moraes mente, precisa cair e ser investigado”.

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Eu mesmo tinha escrito esses dias: em outros tempos, por muito menos, Moraes já teria prendido Moraes ou incluído Malu Gaspar no inquérito do fim do mundo. Moraes não é mais o mesmo! Está acuado, desmoralizado, sendo cobrado por quem antes o chamava de “muralha” e fingia acreditar que seu abuso de poder era para “salvar a democracia”.

Até mesmo sua esposa se manifestou pela primeira vez sobre o contrato “suspeito” com o Banco Master. Viviane de Moraes disse que foram quase cem reuniões e 36 pareceres para o banco de Daniel Vorcaro. Puxa vida! Como o contrato era de R$ 129 milhões, isso dá R$ 3,6 milhões por parecer! Era justamente o valor mensal que o escritório da família de Moraes recebia. Não há, no mundo jurídico, contrato similar, com cifras tão elevadas.

Moraes não estava acostumado a ser alvo de cobranças, e não está sabendo como reagir. Se declarar guerra total aos veículos de comunicação, isso pode marcar um fim trágico ainda mais rápido para quem se achava um deus do Olimpo

Lygia Maria, em sua coluna de hoje na Folha de SP, começa constatando uma verdade inapelável: “Só numa república bananeira como o Brasil um juiz da corte constitucional que tem relações com o líder de uma organização criminosa ainda não foi – e tudo indica que não será – investigado”. Moraes, afinal, foi pego com batom na cueca, como diz o título de sua coluna. Lygia conclui:

Num país sério, Paulo Gonet, o procurador-geral da República, já teria pedido abertura de investigação contra Moraes para apreender seu celular. Mas esperar por Gonet é como esperar por Godot, da peça de Becket. O Brasil é um teatro do absurdo. Assim, se o caso for mantido no STF, o juiz com batom na cueca pode vir a participar do julgamento do seu amigo mafioso. Traição suprema aos brasileiros.

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A colunista da Folha já vinha adotando uma postura mais firme de cobrança aos abusos supremos faz tempo, mas a novidade é que inúmeros de seus pares na velha imprensa também passaram a fazê-lo. Gente que antes tratava Moraes com respeito e até deferência, como se ele fosse mesmo o guardião da democracia contra “golpistas”, agora demanda explicações abertamente sobre o que já veio à tona no caso do Banco Master. Moraes não estava acostumado a ser alvo de cobranças, e não está sabendo como reagir. Se declarar guerra total aos veículos de comunicação, isso pode marcar um fim trágico ainda mais rápido para quem se achava um deus do Olimpo.

Até mesmo o campo da esquerda parece ter abandonado Moraes. Leandro Demori escreveu: “O contrato que ‘não existia’. Quem espalhou a tese (sem nenhuma prova) vai se retratar? Não, não vai. Os fatos já não importam mais. Irão dobrar a aposta e dizer que não tem nenhum problema”.

Não dá mais para negar o contrato que a própria Viviane Moraes admitiu, e a tentativa de explicar o serviço prestado ficou ainda pior. João Luiz Mauad comentou: “Segundo entendi da nota que o escritório da doutora Viviane demorou quase dois meses para divulgar, o escopo do contrato de R$ 129 milhões envolvia principalmente a elaboração e revisão de manuais de compliance e código de ética, que você encontra já prontinhos na internet ou pode mandar produzir a seu gosto por qualquer programa de IA disponível no mercado”.

Mauad acrescentou: “Sugestivo também é o fato de que, além de caríssimos, esses serviços também se mostraram bem ineficazes, afinal, como estamos vendo agora, a quebra do banco se deu principalmente pela total falta de ética, conformidade e governança, tanto que a operação da PF no Master se chama Compliance Zero”.

Ou seja, a emenda foi pior do que o soneto, e ninguém acredita nessa versão fantasiosa. A grana era, ao que tudo indica, para contratar os serviços do próprio Alexandre de Moraes. Serviços esses ilegais, de lobista, de quem, tal qual uma muralha, pudesse bloquear até ordem de prisão do banqueiro fraudulento...

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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