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O historiador de economia Niall Ferguson vê no Brasil o mesmo roteiro das crises históricas da América Latina. “Acho que o país vai se encontrar em uma boa e velha crise de dívida latino-americana”, disse o experiente analista. Segundo o historiador, quando os juros reais superam o crescimento da economia, a crise pode chegar muito rápido. “É impressionante a rapidez com que a dívida pública subiu, particularmente desde que o presidente Lula voltou ao poder”, afirmou.
Sem uma reforma fiscal urgente, uma grande crise parece inevitável. É a opinião do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga também. Em entrevista ao SBT, o sócio da Gávea Investimentos alertou que o Brasil pode viver uma crise como aquela do governo Dilma, quando o PIB chegou a cair cerca de sete pontos percentuais em dois anos. Uma recessão se aproxima, e 2027 poderá ser um ano bem complicado.
O que espanta, claro, é alguém como Armínio não ter antecipado que esse seria o destino se o ladrão voltasse à cena do crime, como diria seu vice Alckmin. Armínio, afinal, fez o L, defendeu publicamente o voto em Lula, mesmo com todo o histórico de irresponsabilidade fiscal do PT.
Uma fase de ajuste seria necessária, com solavancos econômicos intensos. Não há almoço grátis e não se cura bebedeira sem ressaca.
A Selic caiu para 14%, mas ainda se encontra num patamar extremamente elevado que asfixia a economia. Mais de 80% das famílias estão endividadas. O varejo já enfrenta uma crise aguda. A indústria sente o impacto também. O governo gastou uma fortuna, boa parte fora do orçamento, para tentar estimular o consumo em ano eleitoral, e essa conta terá de ser paga. A dívida pública se aproxima de 100% do PIB, nível insustentável para país emergente.
Ninguém pode acreditar que o próprio Lula faria a reforma fiscal necessária. Até o jornal tucano Estadão já descartou essa hipótese irreal. E Lula ainda é o favorito na corrida eleitoral. Ou seja, se ele for reeleito, estamos falando de uma crise enorme contratada, que muitos brasileiros ainda nem desconfiam, ignorando o perigo por total analfabetismo econômico.
Se o Flávio ou o Zema vencerem, haverá alguma chance de conter o estrago, pois ambos têm falado da necessidade de reforma fiscal e possuem gente séria em suas equipes, com viés liberal. Mas não dá para ter ilusões aqui também: mesmo com uma guinada à direita, o desafio será homérico, pois a herança maldita é gigantesca. Uma fase de ajuste seria necessária, com solavancos econômicos intensos. Não há almoço grátis e não se cura bebedeira sem ressaca.
É triste constatar que o Brasil caminha nessa direção trágica, ainda mais depois de quatro anos de responsabilidade fiscal e reformas importantes. O governo Bolsonaro, com Paulo Guedes no comando da economia, entregou a casa em ordem mesmo após uma pandemia. Se Bolsonaro tivesse sido reeleito, não há dúvidas de que estaríamos numa situação econômica bem melhor. Basta ver o que tem acontecido na Argentina com Javier Milei, depois de um cenário de terra arrasada deixado pelo lulista Alberto Fernandez.
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O esquerdismo, com sua volúpia nos gastos públicos, sempre produz crises fiscais. Às vezes, por conta do cenário externo, consegue empurrar com a barriga por algum tempo, parecendo que o governo é responsável por uma bonança, que é artificial. Mas o tempo é implacável e a aritmética é inexorável. Governo que sempre gasta mais do que arrecada, mesmo batendo recorde de arrecadação, terá de pagar juros cada vez maiores para rolar suas dívidas.
O Brasil já tem emitido títulos com IPCA + 8% ao ano, taxas insustentáveis. Por enquanto, ainda existe alguma esperança de Lula ser derrotado e o dever de casa começar a ser feito, mas se ficar claro que Lula vai mesmo ter mais quatro anos de governo, o caos será precificado rapidamente e a crise vai explodir com força. Aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo, como alertou Santayana. Preparem-se para tempos muito difíceis como os do final do governo Dilma, caso Lula vença as eleições...

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




