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Reunião secreta de Lula, Moraes e Alcolumbre ocorre em meio a investidas da PF

Lula e Alcolumbre
Encontro de chefes do Executivo e Judiciário ocorreu na casa do ministro Alexandre de Moraes para reatar relações com vistas à eleição. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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A reunião reservada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite da terça-feira (4), ocorreu em paralelo ao avanço de investigações da Polícia Federal (PF) sobre suspeitos ligados às cúpulas dos Três Poderes.

O encontro de três horas fora das agendas oficiais na casa de Moraes visou recompor a relação entre Lula e Alcolumbre, estremecida desde a rejeição de Jorge Messias ao STF. Mas também coincidiu com o terceiro inquérito da PF mirando Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, e outras investigações que pressionam as cúpulas dos Poderes.

Investigações da PF, autorizadas pelo STF, sobre corrupção e tráfico de influência ampliam o desgaste do governo. Casos ligados ao Banco Master, às fraudes no INSS e a negócios com ministérios sob suspeita alcançam aliados, ex-assessores e Lulinha e tudo isso compõe um grupo de temas que devem pressionar a campanha do presidente à reeleição.

Embora Lula não seja investigado nesses episódios, o avanço das apurações abalou a imagem de sua gestão ao envolver pessoas que ocuparam posições estratégicas em governos petistas ou que têm contato direto e de longa data com ele, o que reforça a percepção de envolvimento do entorno presidencial em suspeitas de corrupção.

No caso de Moraes, foi revelada a existência de um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa. Já Alcolumbre é mencionado em razão dos investimentos de R$ 400 milhões feitos pela Amapá Previdência (Amprev), comandada por um aliado do senador e com seu irmão no conselho fiscal, em títulos do Banco Master.

Nas revelações mais recentes, desdobramentos das investigações sobre as fraudes no INSS também atingiram o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Carvalho, o Marcola, alvo de um inquérito por suspeita de tráfico de influência. Ele deixou o cargo há duas semanas e pediu para se afastar do comitê de reeleição de Lula.

O nome de Marcola ainda apareceu em outra apuração após a identificação de sua relação com a empresária Roberta Luchsinger, investigada no caso e amiga de Lulinha.

Em meio a esse contexto, a pesquisa Meio/Ideia, divulgada quarta-feira (5), revelou que o combate à corrupção é a maior exigência do eleitor na corrida à Presidência. “Acabar com a corrupção e fazer a lei valer para todos” foi apontada por 33,1% dos entrevistados como maior prioridade a ser tocada pelo próximo presidente.

O Instituto realizou entrevistas telefônicas com 1,5 mil eleitores de 16 anos ou mais em todo o país. O levantamento ocorreu entre 31 de julho e 3 de agosto, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como BR-04579/2026.

Lulinha, filho do presidente, é alvo de três inquéritos independentes da PF

Os ministros do STF André Mendonça e Flávio Dino autorizaram três inquéritos contra Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. A PF apura se o empresário filho de Lula cometeu crimes de tráfico de influência no governo.

O foco das investigações está nos negócios partilhados com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Mensagens sugerem articulação para favorecer interesses privados junto ao governo, incluindo tratativas no Ministério da Saúde.

A nova fase da Sem Desconto também colocou novamente o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado e figura próxima de Lula e Alcolumbre, no centro de investigações sobre fraudes bilionárias no INSS. A PF cumpriu mandados contra pessoas ligadas ao parlamentar, enquanto apura suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com o esquema investigado. Weverton nega irregularidades e vê perseguição política.

Antes, o caso Master já havia revelado a assessoria dos ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, que faziam a ponte entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o presidente. Além disso, no caso dos desvios do INSS houve destaque à entidade sindical que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão de Lula.

O caso de maior impacto político até agora foi a operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, contra Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado. A PF apura vantagens indevidas relacionadas ao Master. O episódio também ligou o escândalo ao círculo mais próximo do presidente.

Oposição exibe casos de corrupção e governo tenta conter danos eleitorais

A estratégia governista concentrou-se inicialmente em impedir o avanço do desgaste no Congresso. Integrantes da base atuaram para barrar iniciativas parlamentares destinadas a aprofundar investigações, como a CPI do Banco Master, além de limitar o alcance da CPMI do INSS, alegando uso político.

Na comunicação, o Palácio do Planalto evitou tornar os episódios uma pauta central. Ministros e líderes governistas sustentaram que as investigações devem transcorrer normalmente, enfatizando não haver acusações contra Lula e classificando certas interpretações como precipitadas ou exageradas.

A oposição explora impactos de ações da PF, associando casos ao histórico de escândalos de gestões petistas e destacando o combate à corrupção na corrida presidencial de Flavio Bolsonaro (PL). Não por acaso, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS, foi escolhido como seu vice.

Analistas observam que, independentemente do desfecho judicial, o simples avanço das investigações produz desgaste relevante para Lula. A sucessão de operações policiais e decisões judiciais mantém o tema na agenda pública, dificultando que o governo retome o controle da narrativa.

Defesas negam irregularidades e afirmam confiança nas investigações

As defesas dos investigados vêm rejeitando qualquer prática ilícita. Jaques Wagner declarou em público não ter recebido dinheiro nem vantagens do Master e explicou que o dinheiro apreendido em sua residência correspondia a recursos de diárias parlamentares.

No caso de Lulinha, seus representantes sustentam que ele não praticou nenhum ilícito e que a divulgação seletiva de informações levanta dúvidas sobre a regularidade das investigações, embora tenham reiterado que seu cliente permanecerá à disposição da Justiça.

Em nota, Marcola afirmou ter sido surpreendido pela repercussão do empréstimo recebido de Roberta Luchsinger e disse que a operação teve caráter exclusivamente pessoal, foi integralmente quitada e não teve relação com as funções que exercia no governo. O ex-chefe de gabinete de Lula negou ter cometido qualquer irregularidade e afirmou que um acordo financeiro privado está sendo tratado como suspeita sem fundamento. Ele não informou o valor do empréstimo.

A defesa de Roberta Luchsinger não comentou o desdobramento mais recente, mas, em depoimento à PF, ela negou irregularidades e disse ter sido "criminalizada" por sua proximidade com o filho do presidente.

À época, Ricardo Lewandowski afirmou em nota que pagamentos recebidos do Master referiam-se exclusivamente à prestação de consultoria jurídica após sua aposentadoria do STF. Segundo sua defesa, ao assumir o Ministério da Justiça deixou de atuar em demandas envolvendo clientes privados. Mantega diz ter atuado de forma técnica e privada.

Quando as denúncias sobre a Amapá Previdência foram reveladas, Alcolumbre afirmou não ter nenhuma relação com os investimentos feitos pela entidade no Master. Ele defendeu que as investigações ocorram com o devido rigor da lei para penalizar eventuais responsáveis por fraudes.

Já o escritório de Viviane Barci de Moraes, em nota divulgada em março, afirmou que foi contratado pelo Banco Master para serviços de consultoria jurídica, incluindo a elaboração de pareceres, análises jurídicas e acompanhamento de temas regulatórios e de compliance. A banca destacou que os trabalhos foram realizados por uma equipe de advogados e ressaltou que Viviane Barci de Moraes ‘nunca esteve à frente’ de causas do banco no Supremo Tribunal Federal.”

Crise diplomática com os EUA ajuda governo a desviar foco de ações da PF

O agravamento da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, passou a ser visto por aliados de Lula como fator capaz de deslocar temporariamente o foco das crises internas. Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio amenizou a pressão gerada por investigações da PF envolvendo o entorno presidencial.

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo tenta explorar o conflito externo para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e mobilizar a sua base política.

Para o cientista político Murilo de Carvalho, porém, esse alívio tende a ser passageiro, pois as investigações domésticas continuam alimentando a oposição e preservando o desgaste do governo.

Para Adriano Cerqueira, professor do Ibmec-BH, a sucessão de suspeitas envolvendo pessoas próximas de Lula reforça percepção já consolidada no imaginário de parte do público. “Embora o impacto eleitoral imediato seja limitado, o noticiário fortalece a associação entre o PT e a corrupção”, diz.

Na avaliação do cientista político Ricardo Caldas, o desgaste tende a ocorrer, mas de forma atenuada pela cobertura de boa parte da imprensa. Segundo ele, os veículos evitam destacar fatos negativos para o governo, reduzindo a repercussão das denúncias e efeitos sobre a imagem do presidente.

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