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Rodrigo Constantino

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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Ética

“Direita sujinha”? Sacrificar postura firme contra corrupção é fazer o jogo do PT

Flávio Bolsonaro e Lula
O escândalo que estourou na cabeça de Jacques Wagner fez com que o discurso petista contra Flávio Bolsonaro perdesse tração, ficasse desidratado. (Foto: Fotomontagem/Gazeta do Povo (Beto Barata/PL e Ricardo Stuckert/PR))

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Um dos grandes trunfos da direita sempre foi o discurso da ética, enquanto a esquerda costuma passar pano para seus corruptos de estimação. A intransigência com desvios éticos é uma bandeira da “direita limpinha”, como Carlos Bolsonaro passou a chamar essa direita compromissada com os valores morais. Entende-se que a política é a arte do possível, e que concessões ao centrão fisiológico serão necessárias. Mas sacrificar a postura firme contra a corrupção é fazer o jogo do PT.

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Uma reportagem da Gazeta do Povo mostra bem isso: “O escândalo do Banco Master avança sobre a política baiana com força suficiente para fazer o que muitos achavam ser improvável: aproximar campos que, na arena eleitoral, raramente dividem o mesmo lado. Grupos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado e figura central do PT na Bahia, teriam costurado nos bastidores um pacto de não agressão: nenhum dos dois lados tocará no caso Master durante a disputa eleitoral deste ano”.

Imagina perder o discurso da ética contra alguém como Jacques Wagner, depois da operação desta quinta-feira e da denúncia de que o senador petista recebeu milhões em propinas do banqueiro! Mas isso acontece pois ACM Neto teria telhado de vidro também: “ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo do estado, teve seu nome associado ao banco a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o documento, ele teria recebido R$ 5 milhões do Banco Master e da gestora Reag”.

Quando a direita não pode mais usar a cartada ética contra Lula, perde-se boa parte da vantagem natural de enfrentar o 'ladrão que voltou à cena do crime', como diria seu vice. O principal critério na escolha do candidato contra o PT tinha que ser esse: não ter telhado de vidro. É o básico! Mas a 'direita sujinha' abandonou qualquer critério ético

Quando todos parecem envolvidos com Daniel Vorcaro de algum jeito, então o assunto Banco Master desaparece da disputa. Pelo visto é o que vai acontecer em âmbito nacional também. O escândalo que estourou na cabeça de Jacques Wagner fez com que o discurso petista contra Flávio Bolsonaro perdesse tração, ficasse desidratado. Mas cabe refletir sobre isso: quando o PT quer usar a bandeira ética contra a direita, é porque algo muito errado aconteceu com a direita!

Lula provavelmente vai se afastar do seu “galego”, vai repetir que ele não é Jacques Wagner e sustentar que a Polícia Federal investigue tudo com “autonomia”, sendo que a operação foi aprovada por André Mendonça sem o conhecimento do chefe da PF, Andrei Rodrigues, o companheiro de Lula e de uísque milionário do próprio Vorcaro. Outros petistas saíram já em defesa do senador, enquanto Glauber Braga partiu para cima dele:

A explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese. Ele fala que a maior parte é fruto de diárias pagas em dólar pelo Senado Federal formalmente. Tratar isso como verdade, é conceber a institucionalização do absurdo. Outro ponto chama atenção. Ele fala da relação com Augusto Lima. Esse empresário comprou uma rede pública de supermercados do governo da Bahia e depois o então banco máxima (que se transformou no master) entrou no negócio “pra fazer empréstimos”. Mais uma vez uma privatização iniciando relações injustificáveis. A extrema-direita fará muito barulho com esse caso pra que o dinheiro no armário do líder do PL, os seus governadores metidos nos desvios e os “pedidos” de Flávio Bolsonaro ao seu amigão Vorcaro fiquem esquecidos. Que o senador responda por seus atos e relações. Quem enfrenta a extrema-direita corrupta sem rabo preso não tem motivo pra ficar na defensiva.

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Um socialista, defensor de Lula, usando a bandeira ética contra a “extrema direita”: é de lascar! Mas, infelizmente, a postura de parte do bolsonarismo tem levantado essa bola para seus adversários. São aqueles que fingem que nada aconteceu, que os milhões de Vorcaro para um filme sobre Bolsonaro não passaram de investimento republicano, e que as mentiras do Flávio desde o começo do escândalo devem ser ignoradas.

Reparem que praticamente não vemos mais as lideranças bolsonaristas cobrando impeachment de Alexandre de Moraes e mencionando o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua família com o Banco Master. O assunto Vorcaro ficou tóxico demais, e todos buscam evitá-lo. Flávio ainda mantém um discurso em defesa da CPI, mas sabe que não há chance de ela ser mesmo instalada.

Quando a direita não pode mais usar a cartada ética contra Lula, perde-se boa parte da vantagem natural de enfrentar o “ladrão que voltou à cena do crime”, como diria seu vice. O principal critério na escolha do candidato contra o PT tinha que ser esse: não ter telhado de vidro. É o básico! Mas a “direita sujinha” abandonou qualquer critério ético, e por excesso de “pragmatismo” defende até voto em Motta e Alcolumbre, de olho nas comissões. Aí complica bastante na hora de transmitir firmeza e coerência no discurso ético...

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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