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Lula se reuniu com Alcolumbre, na casa de Alexandre de Moraes pela primeira vez, e ambos fizeram as pazes. Disso deve sair a decisão de pautar a PEC do “fim da escala 6x1” antes das eleições, ou seja, um projeto eleitoreiro que cria uma armadilha para a direita, como no caso da misoginia. Quem votar contra será rotulado de inimigo do trabalhador, e não terá sequer tempo para se explicar. Mas a medida é boa mesmo para o trabalhador?
O nome já é enganoso: na prática, trata-se de um projeto que visa a proibir o trabalhador de trabalhar mais para ganhar mais, se assim desejar. Ou seja, retira liberdade de escolha do trabalhador. O Brasil, desde a CLT de Vargas, acumula muitas “conquistas trabalhistas”, que a esquerda celebra. No entanto, temos cerca de um terço da mão de obra na informalidade, uma parcela grande no desemprego e milhões no assistencialismo estatal. Deu certo?
Nenhuma dessas “conquistas” brasileiras é obrigatória por lei federal nos Estados Unidos. O sistema americano é muito mais baseado em negociação individual ou política da empresa (at-will employment + poucas obrigações federais além de salário-mínimo, horas extras e algumas proteções contra discriminação). O que existe é voluntário, desigual e frequentemente inferior ao padrão brasileiro da CLT.
Trabalhadores americanos não desfrutam desses direitos como garantias legais. O que existe depende fortemente do empregador, do setor (tech e finanças costumam ser mais generosos), do sindicato (quando há, já que pequena parcela da mão de obra é sindicalizada) e da localização. Benefícios comuns nos EUA incluem plano de saúde (muito caro e frequentemente o principal atrativo), 401(k) com matching, e paid time off (PTO) combinado, mas o pacote trabalhista obrigatório é bem mais enxuto que o brasileiro.
Em troca, o mercado americano tende a ter salários nominais mais altos em muitas áreas (especialmente qualificadas), maior flexibilidade de demissão e contratação, e menos encargos patronais obrigatórios sobre a folha (o “custo Brasil” de encargos + 13º + férias + FGTS é bem superior).
O trabalhador americano, sem qualquer regalia legal como o brasileiro, ganha na média cinco a seis vezes mais que o trabalhador brasileiro. Não tem americanos tentando invadir ilegalmente o Brasil para desfrutar das "conquistas" do nosso sindicalismo estatizante. Já o contrário não podemos dizer: há uma multidão de brasileiros querendo viver nos Estados Unidos para trabalhar, mesmo sem qualquer “conquista” legal.
Vivendo sob décadas de mentalidade esquerdista estatizante, e com uma imprensa que repete os dogmas marxistas, muitos brasileiros se acostumaram a acreditar que conquistas na lei significam avanços na prática, o que é totalmente falso. O trabalhador não precisa da “proteção” dos sindicatos e do estado, e o empregador não é um “explorador”. O melhor caminho é a flexibilização do mercado de trabalho e mais concorrência do lado das empresas, possível com o livre mercado, para que os patrões tenham que pagar o máximo possível ao trabalhador dentro da realidade de sua produtividade.
Mas explicar tudo isso para uma população bastante ignorante e em ano eleitoral é uma missão impossível. Por isso Lula quer mais um projeto populista aprovado: para ganhar votos dos desavisados. Quem realmente explora o trabalhador é a esquerda política. Por isso o PT quer mais pobreza e ignorância, mais dependência das migalhas estatais. Trabalhador livre que ganha bem não costuma votar em socialista.
O único que vem remando contra essa maré vermelha é Zema. O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência defendeu uma proposta que prevê o cancelamento de benefícios sociais para quem recusar, sem justificativa plausível, três ofertas consecutivas de trabalho formal apresentadas por órgãos oficiais, como o Sine (Sistema Nacional de Emprego).
A medida busca vincular a manutenção dos programas de transferência de renda à reinserção do cidadão no mercado de trabalho. De acordo com os defensores da proposta, o objetivo é incentivar a autonomia financeira das famílias e otimizar a aplicação do dinheiro público. Excelente proposta, mas com pouco atrativo eleitoral.
Como dizia Ronald Reagan, o trabalho é o melhor programa social que existe. Poucos políticos brasileiros entendem isso ou querem efetivamente libertar o povo trabalhador das amarras estatais.

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




