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Rodrigo Constantino

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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Eleições

Pacto de não agressão

Flávio Bolsonaro
Pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). (Foto: Robson Cesco/CNM)

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A direita está em “guerra”. Romeu Zema rompeu com Flávio Bolsonaro assim que vazou o áudio do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, depois disse que era página virada, mas subiu novamente o tom. Ronaldo Caiado, que tinha sido mais cauteloso no começo, também subiu o tom e disse que as justificativas de Flávio até agora não foram satisfatórias. Mas enfatizou que a prioridade da centro direita é derrotar Lula no segundo turno.

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Vejo com naturalidade as trocas de farpas, uma vez que são todos concorrentes do mesmo eleitorado. A disputa é para ver quem consegue ir para o segundo turno contra Lula, que tem enorme rejeição. Claro que Zema e Caiado vão mirar em Flávio no espectro da direita, pois precisam se colocar como alternativas melhores e viáveis. É do jogo.

Durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, AmCham, nessa segunda-feira, em São Paulo, Romeu Zema disse que quem votar em Flávio Bolsonaro estará ajudando a reeleger Lula e alegou que o cenário eleitoral deste ano é mais complicado do que o de 2022, pois não havia escândalo envolvendo a direita.

Será preciso ter calma e frieza, e engolir muito sapo, para deixar essas intrigas de lado e promover a união de todos contra o petismo depois. Ou teremos mais quatro anos, no mínimo, de lulismo

Zema tem um ponto: o PT mal ligou sua máquina de destruir reputações, e se o telhado do Flávio for de vidro, então ele será o adversário dos sonhos para o lulismo. Mas não se pode esquecer o peso do sobrenome Bolsonaro, muito maior que o de Zema e Caiado. Por isso mesmo muitos bolsonaristas acham que não deveria haver “fogo amigo” agora, o que só dá munição para o PT. É preciso lembrar, porém, que a própria militância bolsonarista já vem detonando Zema e o Partido Novo antes de sua reação após o áudio com Vorcaro.

O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC), foi às redes sociais afirmar que Romeu Zema é baixo e que, “na primeira oportunidade, vem mais uma facada”. Antes disso, porém, Kim Paim, próximo de Eduardo Bolsonaro, já tinha associado Zema a Adélio Bispo, sem qualquer crítica dos irmãos Bolsonaro. O jogo tem sido pesado e sujo, principalmente por parte dessa ala fanatizada do bolsonarismo, que caça “traidores” por toda parte e dedica 90% de sua energia para atacar gente como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro.

A postura do Zema gerou um racha interno no Partido Novo, pois muitos pré-candidatos dependem dos votos bolsonaristas em seus estados e fecharam alianças com o PL. Jeffrey Chiquini, que chegou “ontem” no partido, escreveu um textão criticando Zema e impondo ao Novo uma escolha: ou ele ou o ex-governador de Minas Gerais. Eis o clima tenso existente hoje dentro do partido.

Enquanto isso, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, dá entrevista com versão diferente daquela apresentada pelo próprio Flávio para sua visita a Vorcaro após a prisão. Foi para encerrar a relação, como disse o próprio Flávio, ou para cobrar o resto do dinheiro, como diz agora o presidente do partido? Com um aliado desses, o Flávio nem precisa de inimigos à esquerda...

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Flávio tenta uma aproximação com o centrão, mas este prefere manter certa distância. A Federação União-PP considera improvável o apoio ao pré-candidato do PL após o caso Vorcaro. Representantes do agronegócio também avaliam que o senador Flávio Bolsonaro perdeu competitividade para a disputa presidencial após a repercussão do caso Banco Master, segundo fontes do setor ouvidas nesta segunda-feira pela imprensa.

Para piorar a situação, a Polícia Federal realizou nova operação mirando no ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL. Os agentes investigam a transferência de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master. O Rio é o berço do bolsonarismo, e Castro é um aliado importante do senador Flávio. A narrativa ética contra o PT fica cada vez mais complicada em meio a tantos escândalos.

Caiado está certo, porém: a centro direita precisa estar unida no segundo turno contra Lula. Essa continua sendo a prioridade. Pontes foram destruídas no caminho, pois a disputa eleitoral é acirrada e os nervos estão à flor da pele. Mas será preciso ter calma e frieza, e engolir muito sapo, para deixar essas intrigas de lado e promover a união de todos contra o petismo depois. Ou teremos mais quatro anos, no mínimo, de lulismo, o que poderá ser a destruição total do país.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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