

Verissimo, o filho, é daqueles raros esquerdistas com humor, o que seria um ponto a seu favor (nada pior do que os revolucionários socialistas rígidos, fanáticos, incapazes de rir de si mesmos). O problema é que o gaúcho usa esse humor sempre para passar uma mensagem tosca em uma embalagem engraçadinha. Quem o acompanha de longa data já é capaz de detectar o estilo e o que está sendo realmente dito nas entrelinhas com bastante facilidade.
Hoje mesmo, por exemplo, o colunista usou seu artigo todo sobre a origem das palavras, supostamente inofensivo, apenas para lançar sua verdadeira mensagem: a corrupção, que nunca antes na história deste país (parafraseando um dos ícones desta corrupção) foi tão grande, não tem ligação com o caráter, mas com a etimologia do termo. Diz ele:
‘Corrupção” vem do latim “rumpere”, ou romper, quebrar. Da mesma origem latina vem a palavra “rota”, através de “ruptura”, que virou “rupta” (um caminho aberto) no latim vulgar e está na origem do francês “route”, rota, e também de “rotina”. “Corrupção” e “rotina” vão se encontrar no Brasil moderno. A culpa não é do nosso caráter, é da etimologia.
Entenderam? Corrupção é ruptura, e como a esquerda precisa romper com essa rotina, então faz parte conviver com a corrupção. Nada de culpar o PT, viu?! Não é questão de caráter, diz ele. André Vargas, o mais novo escândalo da lista infindável? Não é desvio de caráter, apenas rotina ou ruptura, você escolhe.
Pois para quem acredita que corrupção ainda é, sim, uma questão de caráter, e que nem todos são corruptos, segue, também usando o Google, a origem de algumas palavras interessantes e bem adequadas:
Canalha: vem do Latim canis, “cão”. Este, coitado, é o melhor amigo do homem mas tem que aguentar todos esses desaforos.
Escória: do Grego skoria, “restos, resíduos” derivado de skor, “fezes, excremento”. Este desaforo é dos bons.
Cáfila: do Árabe qâfila, “caravana”. Era comum as caravanas serem compostas por indivíduos de moral duvidosa, daí a fama.
Súcia: é uma alteração de sociedade, com intenção difamatória.
Corja: do Malaio horchchu, “vintena”. De um designativo numeral passou a ser usado para uma quantidade de gente de baixo nível, mal-intencionada.
Escumalha: do Frâncico skum, “sobrenadante, material que vem à tona ao se ferver algo”, com mistura do Latim spuma, “espuma”. Trata-se de material indesejável, que deve ser retirado e desprezado, o que proporciona uma boa metáfora.
Como é interessante a origem das palavras!
Rodrigo Constantino



