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Rodrigo Constantino

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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Desastre

O Banco Central petista vem aí

Colegiado é presidido por Gabriel Galípolo, presidente do BC.
A partir de 2028 a maioria do Copom será de nomes escolhidos pelo governo petista, potencialmente isolando Gabriel Galípolo. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

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A Folha de S.Paulo trouxe neste feriado a manchete que o mercado já temia: Lula poderá indicar seis diretores do Banco Central até o fim de 2027. Com isso, a partir de 2028 a maioria do Copom será de nomes escolhidos pelo governo petista, potencialmente isolando Gabriel Galípolo no último ano de seu mandato.

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O detalhe irônico é que Galípolo – colocado lá pelo próprio Lula – passou a ser visto como o “bastião” da responsabilidade monetária. Isso já diz tudo sobre o que o PT faz com o país: consegue transformar até um nome de sua lavra em referência de algo minimamente decente, da mesma forma que transformou o Paraguai em destino desejável para milhões de brasileiros. O PT sempre baixa a régua.

Os economistas ouvidos pela Folha temem que a futura composição do Copom seja “leniente” no combate à inflação. “Leniente” é eufemismo. O que um Banco Central petizado faria é ignorar a meta de inflação. O PT nunca engoliu a autonomia formal do BC, aprovada no governo Bolsonaro. Não acredita que a taxa de juros seja instrumento necessário para controlar preços. Para a esquerda, juros altos são “inimigos do povo”; para qualquer economia séria, são o freio contra o descontrole fiscal.

O projeto petista de politizar a diretoria e tornar a autoridade monetária um braço da política fiscal não é inovação heterodoxa. É o retorno ao modelo que já conhecemos e que produziu décadas de inflação, confisco e desconfiança. Aperte o cinto. O Banco Central petista está no horizonte

Nesse contexto reaparece André Lara Rezende. O mesmo economista que, no Plano Cruzado e no confisco de Collor, sugeriu o bloqueio de liquidez para que o congelamento de preços “funcionasse”. Collor mesmo relatou a conversa com Simonsen e a sugestão de Lara Rezende. Os petistas que hoje comparam Flávio Bolsonaro a Collor convenientemente esquecem quem defendeu a medida mais radical daquele governo.

Lara Rezende ganhou alguma credibilidade recente no PT ao citar Cochrane e a dinâmica de credibilidade institucional. Lula, porém, só ouviu uma coisa: o Banco Central está errado e precisa cortar juros. Música para os ouvidos do partido. O mercado reagiu mal à perspectiva de encontro, e Gleisi Hoffmann saiu em defesa, tratando o “mercado” como entidade física e acusando-o de chantagem. Guilherme Boulos, agora ministro, reforçou a linha: pressão por ajuste fiscal seria “chantagem do mercado”, e Lula teria vencido com uma agenda contra o “corte de gastos que a Faria Lima queria”.

O PT não compreende o mercado como processo descentralizado de milhares de investidores. Para eles, é um grupo pequeno de pessoas numa sala. Daí a facilidade com que chamam qualquer reação a mais gasto de “chantagem”. Chantagem de quem, cara pálida?

O governo quer gastar mais. Lula já disse que não corta programa social e pode até criar novos. Onde há maior dependência de programas sociais? Na Bahia – onde o PT fez 7 em cada 10 votos, reelegeu governador no primeiro turno e elegeu dois senadores – ou em Santa Catarina? A resposta é óbvia. A lógica política do PT não é transformar o Brasil em Santa Catarina; é transformar o Brasil na imagem e semelhança da Bahia. Para isso, precisa de um Banco Central subserviente, que não reaja com juros à farra fiscal de um governo com dívida na casa dos R$ 11 trilhões.

Cortar a Selic para 6% sem ajuste real não gera crescimento sustentável. Gera mais inflação e fuga de capital. A autonomia do BC existe justamente para impedir que a autoridade monetária monetize o rombo fiscal. Quando o governo controla o Banco Central, o resultado histórico no Brasil (e em dezenas de países) é inflação. Não é teoria; é o registro dos fatos.

A independência do Banco Central é uma das poucas conquistas institucionais recentes que aproximaram o Brasil do padrão de países desenvolvidos. O projeto petista de politizar a diretoria e tornar a autoridade monetária um braço da política fiscal não é inovação heterodoxa. É o retorno ao modelo que já conhecemos e que produziu décadas de inflação, confisco e desconfiança. Aperte o cinto. O Banco Central petista está no horizonte.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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