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Rodrigo Constantino

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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Estratégia

PL e Novo: direita unida contra a esquerda

Flávio Bolsonaro (PL) ao lado de André Marinho (Novo) e Romeu Zema (Novo): sinalizações de diálogo e articulação entre PL e Novo no cenário político atual. (Foto: Reprodução/Instagram/abmarinho/romeuzemaoficial/flaviobolsonaro)

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Existe uma prioridade nessa eleição: derrotar o lulismo. Com isso em mente, Jair Bolsonaro já escreveu carta do próprio punho, na prisão, pedindo a união da direita, o fim dos ataques mútuos e o respeito à sua esposa Michelle, alvo de “cobranças” um tanto chulas de uma ala bolsonarista.

Flavio Bolsonaro foi na mesma linha e já disse várias vezes que o importante é deixar o passado para trás e focar no futuro, buscando, inclusive, aliança com quem criticava bastante Bolsonaro. Flavio também elogiou Nikolas Ferreira, alvo de ataques absurdos de alguns, afirmando que se trata de um “moleque de ouro” que está 100% do seu lado.

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É nesse espírito de união que as imagens deste fim de semana no Sul são tão importantes. O deputado Marcel van Hattem, do Novo, e Sanderson, do PL, estiveram juntos em uma grande festa para lançar suas candidaturas ao Senado, enquanto Zucco, do PL, será o candidato ao governo. Marcel escreveu: “NÃO DEIXAREMOS A QUADRILHA QUE ASSALTOU O BRASIL ASSALTAR TAMBÉM O RIO GRANDE: agora é ZUCCO governador! Festa maravilhosa de lançamento da pré-campanha do Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul. A quadrilha que assaltou o INSS agora quer se instalar no RS, mas, juntos, nós não deixaremos isso acontecer. Com Zucco e Silvana no governo e comigo e Sanderson no Senado, faremos uma trincheira de batalha para o bem do nosso Estado e do nosso Brasil. Fora Lula! Fora Alexandre de Moraes! A direita está unida para retomar o RS e o Brasil”.

Enquanto isso, Flavio e Zema postaram um vídeo que viralizou nas redes sociais. Em clima descontraído, em tom de brincadeira, Zema, do Novo, convida Flavio, do PL, para ser seu vice. Flavio é o líder nas pesquisas e aquele com maior chance de derrotar Lula numa fotografia de hoje, e Zema é um dos cotados para ser seu vice. O ex-governador de Minas, reeleito em primeiro turno, traria não só um palanque importante no segundo maior colégio eleitoral do país, como sua experiência administrativa e seu tom incisivo contra os abusos supremos. Zema voltou a criticar os “intocáveis”: “Todo dia um tapa na cara do brasileiro. Chegou a hora de a gente acabar com essa farra dos intocáveis de Brasília”.

No Paraná, o Novo e o PL se uniram contra a esquerda. Sergio Moro, que foi para o PL, lidera as pesquisas para o governo, e a dobradinha para o Senado conta com Deltan Dallagnol, do Novo, e Felipe Barros, do PL. Divergências passadas foram deixadas de lado em prol do foco nos resultados.

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O PL e o Novo também estão juntos no Rio, e Flavio gravou um vídeo ao lado de André Marinho, candidato ao governo. Marinho e seu pai foram duros críticos de Jair Bolsonaro, mas Flavio está focado, com pragmatismo, em seu objetivo maior: derrotar Lula. E ele sabe que, para isso, vai precisar de cada voto. Afinal, seu pai perdeu para Lula em 2022 por apenas 1%! Não dá, portanto, para desperdiçar um só voto nessa disputa tão acirrada e importante para o país. Ninguém quer imaginar o que seria do Brasil com mais quatro anos de PT.

Por isso mesmo, Flavio vem tentando se afastar do radicalismo de uma ala bolsonarista, dominada por seus irmãos Eduardo e Carlos. Pergunta: qual é a melhor forma de tratar quem pretende votar em Zema ou Caiado no primeiro turno, pela ótica do Flavio e do Brasil? Vê-los como prováveis aliados no segundo turno ou chamá-los de traidores, canalhas, esquerdistas e repetir que não precisamos de seus votos? A resposta parece evidente para quem pensa.

Fiz uma enquete no meu X, com 4.800 votos, perguntando em quem o público votaria no primeiro turno. Flavio ficou com 65%, Zema com quase 22% e Caiado com 13%. Isso mostra, dentro da minha base de seguidores, como será crucial para o Flavio atrair os votos de Zema e Caiado no segundo turno. E, para tanto, ele terá de ser moderado, acenar ao centro, aos liberais — e é justamente o que ele vem fazendo. Inclusive elogiando a equipe econômica do governo de seu pai e publicando uma foto ao lado do ex-ministro Paulo Guedes, grande liberal que goza do respeito dos agentes do mercado financeiro.

Por tudo isso, creio que está na hora de Flavio Bolsonaro deixar bem claro que seus irmãos criadores de intrigas e seus bajuladores radicais não terão qualquer papel ativo em sua eventual gestão

É um receio que muita gente boa tem, principalmente ao acompanhar a postura dessa turma contra Nikolas e outros nomes importantes da direita. Caso contrário, muita gente vai acabar desistindo de votar no Flavio por associá-lo a essa conduta tóxica.

Nikolas, aliás, não para de trabalhar em prol da candidatura de Flavio ao desgastar Lula com seus vídeos, que alcançam milhões de visualizações. Ele também esteve em evento em Goiás apoiando o deputado Gustavo Gayer. O PL, em sua página oficial, publicou: “Nikolas lembra: escolher bem os representantes é o primeiro passo para transformar o país. O Brasil precisa de coragem, ação, compromisso e, acima de tudo, caráter. E é com essa convicção que seguimos juntos, firmes na luta por um Brasil melhor”. Mas, acreditem se quiser, a ala “eduardista” conseguiu problematizar sua camisa branca e amarela!

O jovem deputado também gravou um vídeo incentivando os jovens a tirar seu título de eleitor. “Tira o título e vota, para pelo menos você poder cobrar em quem votou. Senão, nem reclamar depois você vai poder”, diz Nikolas no vídeo. Esse tipo de iniciativa é fundamental e pode fazer toda a diferença no resultado da eleição.

Jair Bolsonaro dizia: “Meu partido é o Brasil”. O ex-presidente sabia que nenhum partido no país é perfeito ou realmente conservador, e que o mais importante eram indivíduos com compromisso com as pautas de direita.

O Brasil não é uma dinastia familiar, e a direita sempre pregou a meritocracia. É por isso que o próprio Jair e sua esposa Michelle respeitam o trabalho de Nikolas, e é por isso também que parlamentares do Novo são mais aliados da agenda de direita do que muitos do próprio PL.

Daí a importância de vermos essa turma do Novo e do PL unida com o objetivo único de derrotar o PT. Quem se coloca contra essa união quer, no fundo, boicotar a própria candidatura de Flavio...

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