Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Oriente Médio

Trump e a guerra no Irã

Presidente Donald Trump em discurso televisado sobre a ofensiva militar dos EUA contra o Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso à nação sobre as operações militares contra o Irã. (Foto: Alex Brandon/Pool/EFE)

Ouça este conteúdo

Quando Donald Trump decidiu, num ataque incrível, bombardear instalações nucleares do Irã, isso foi não só uma iniciativa para impedir o regime dos aiatolás xiitas de avançar em seu projeto da bomba atômica, como também um alerta: se não negociar para valer, a coisa vai ficar esquisita. O Irã, dominado por malucos, pagou para ver, e Trump autorizou, meses depois, um ataque massivo contra o país.

Whatsapp: entre no grupo e receba as colunas de Rodrigo Constantino

Agora chegamos num impasse: Trump, após os militares americanos e israelenses terem eliminado as principais cabeças do regime, colocou um deadline para o acordo. A poucas horas do fim de um prazo que estabeleceu para que o Irã reabra o estratégico Estreito de Ormuz, o presidente americano disse nesta terça-feira (7) que uma “civilização inteira morrerá hoje à noite”. Caso o estreito não seja reaberto, as forças americanas bombardearão usinas de energia e pontes iranianas, ameaçou o mandatário republicano:

“Uma civilização inteira morrerá hoje à noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe?”, escreveu Trump na rede Truth Social, especulando sobre um acordo de última hora.

O que está em choque, no fundo, é uma civilização que odeia a vida, e outra que ama a vida. Tomara que Trump não precise escalar os ataques, que os que restaram no comando do regime tenham juízo e bom senso

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira que mais de 14 milhões de pessoas se inscreveram para “sacrificar suas vidas” pelo país, no dia em que vence um ultimato estipulado pelos Estados Unidos para que grandes ataques não sejam realizados contra a infraestrutura da nação persa.“Mais de 14 milhões de iranianos orgulhosos já se registraram para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo devotado a dar a minha vida pelo Irã”, escreveu Pezeshkian no X.

O fator do fanatismo complica a situação no Irã. Na Venezuela, com os chavistas, foi mais fácil convencer por mudanças com argumentos racionais – tipo a captura de Nicolás Maduro. A escalada suicida no Irã mostra que não ameaça suficiente para esses xiitas baixarem suas armas. Remete ao caso japonês na Segunda Guerra, cujo slogan principal era “Todo o mundo sob um mesmo teto”, sobre o imperialismo japonês, além de outro slogan conhecido: “Cem milhões com um só espírito”, promovendo a união total do povo e a disposição de morrer pelo regime. De fato, os kamikazes faziam exatamente isso.

O regime do Irã convocou nesta terça-feira os jovens para formarem correntes humanas ao redor das usinas elétricas em todo o país. Seus kamikazes? A campanha “Jovens do Irã por um amanhã brilhante” foi convocada para “encenar um símbolo de unidade e resistência diante do inimigo”, afirmou o vice-ministro de Assuntos da Juventude do Ministério do Esporte, AlirezaRahimi. Mas todos sabem que boa parte da população, especialmente os mais jovens, detestam o radicalismo do regime dos aiatolás.

Enquanto o Irã parece não se importar com a morte de milhares de iranianos, uma história mostra como os Estados Unidos agem diferente. Falo do espetacular resgate do piloto americano em pleno território inimigo. O oficial, um coronel altamente respeitado, foi abatido em seu F-15E, ejetou-se gravemente ferido nas pernas, mas sobreviveu por mais de 48 horas atrás das linhas inimigas.

VEJA TAMBÉM:

Ele cuidou das próprias feridas, escalou penhascos sangrando profusamente, encontrou refúgio em uma fenda nas montanhas do Irã. Conseguiu ficar quase invisível aos inimigos, apesar de helicópteros, drones e milícias iranianos fechando o cerco e da oferta de prêmio pelo seu aprisionamento pelo governo do Irã. Tem que ter um nível de treinamento que acho que não conseguimos nem imaginar. Quando finalmente conseguiu ativar o rádio, a primeira mensagem do piloto foi “Deus é bom”.

As forças especiais americanas, com apoio de dezenas de aeronaves e inteligência da CIA, o resgataram na madrugada de Domingo de Páscoa, sem uma única perda do lado americano. Foi uma operação de alto risco que Trump, segundo relatos, não hesitou por nenhum instante em autorizar, e chamou de “Easter Miracle”. Segundo especialistas escutados pela imprensa, foi uma das mais ousadas da história militar dos EUA.

Algumas pessoas fizeram até um paralelo curioso com paixão, morte e ressurreição de Cristo. O avião foi abatido na Sexta-Feira Santa, o piloto conseguiu ficar escondido numa caverna na montanha durante o sábado e foi resgatado no Domingo de Páscoa, ao nascer do dia. A vida de um soldado americano vale ouro! O que está em choque, no fundo, é uma civilização que odeia a vida, e outra que ama a vida. Tomara que Trump não precise escalar os ataques, que os que restaram no comando do regime tenham juízo e bom senso. Mas se o pior acontecer, não temos dúvidas de que uma vitória total americana é o resultado mais desejado.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.