
O Brasil consolida sua posição como potência exportadora global ao aproveitar o vácuo deixado pela rivalidade comercial entre Estados Unidos e China. Durante o evento Money Week 2026, em Balneário Camboriú, o economista Marcos Troyjo destacou que o país assumiu o papel de principal fornecedor de alimentos para os chineses, aproximando-se da liderança mundial que hoje pertence aos norte-americanos.
Como a briga comercial entre as duas potências favorece o agronegócio brasileiro?
A China, que tem uma população imensa de 1,5 bilhão de pessoas, precisa garantir comida na mesa de seus cidadãos. Historicamente, os Estados Unidos eram os maiores fornecedores de alimentos para eles, mas a atual tensão política e comercial mudou esse jogo. Nos últimos cinco anos, o Brasil ocupou esse espaço e se tornou o parceiro preferencial. Para se ter uma ideia da força do nosso campo, as exportações agrícolas brasileiras somaram US$ 169,2 bilhões no último ano, ficando apenas US$ 2 bilhões atrás do total exportado pelos norte-americanos, que ainda lideram o ranking global.
Qual é o impacto do novo acordo comercial com a Europa nas nossas vendas?
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que começou a valer em maio deste ano, já está mostrando resultados práticos. Ele eliminou ou baixou impostos para cerca de 5 mil produtos nacionais. Só nos dois primeiros meses, as vendas para o bloco europeu subiram 26% em comparação ao mesmo período de 2025. Isso aconteceu porque os europeus também estão buscando novos parceiros comerciais diante do protecionismo dos Estados Unidos. O mercado europeu é muito valioso: embora tenha menos gente que a China, o poder de compra e a economia deles são proporcionalmente maiores.
Por que nossos problemas de estradas e portos podem virar uma oportunidade?
O Brasil sempre sofreu com gargalos logísticos, que é a dificuldade de transportar e armazenar a produção por falta de trilhos, armazéns e portos modernos. Porém, em um mundo preocupado com a falta de comida e energia, o economista Marcos Troyjo explica que esses problemas deixam de ser apenas brasileiros e passam a interessar investidores do mundo todo. O setor de logística no país deve receber cerca de R$ 300 bilhões em investimentos privados através de concessões de rodovias e ferrovias, já que o mundo tem pressa para que a gigante produção brasileira chegue logo ao mercado internacional.
O que são minerais críticos e qual o desafio para o Brasil lucrar com eles?
Minerais críticos são materiais essenciais para fabricar tecnologias modernas, como celulares, sistemas de defesa e robôs. O Brasil deu a sorte geográfica de ter grandes reservas desses itens, mas apenas ter o minério no chão não traz riqueza automática. O grande desafio é o imposto cobrado para processar esses materiais aqui dentro. Enquanto outros países cobram cerca de 18% de imposto nessa atividade, no Brasil a tributação chega a 33%. Se não houver uma mudança tributária, corremos o risco de apenas vender a pedra bruta barato e comprar o produto tecnológico caro depois.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





