
A ApexBrasil identificou 805 oportunidades de exportação para Santa Catarina no âmbito do acordo entre Mercosul e União Europeia. Embora o estado já possua 761 empresas vendendo para os europeus, o tratado, em vigor de forma provisória desde maio de 2026, traz desafios técnicos e maior concorrência, favorecendo inicialmente grandes indústrias já capacitadas para o comércio exterior.
Quais setores catarinenses possuem mais chances de crescimento na Europa?
A indústria de transformação lidera o potencial de expansão, especialmente nos segmentos de motores elétricos, compressores, transformadores, móveis e artigos de madeira. No agronegócio, as carnes de frango e suína continuam sendo os produtos mais fortes. O acordo facilita a entrada desses itens ao reduzir tarifas, permitindo que as empresas locais compitam em pé de igualdade com fornecedores de outros países que já possuem benefícios comerciais com o bloco europeu.
Por que o acordo pode ser mais difícil para pequenas empresas?
Pequenos negócios enfrentam barreiras como a exigência de certificações ambientais complexas, normas de rotulagem e rastreabilidade rigorosas. Além disso, muitos nichos exigem grande escala de produção e alto investimento financeiro. Para essas empresas, a melhor estratégia pode ser atuar como fornecedoras de componentes e serviços para as grandes indústrias exportadoras, integrando-se indiretamente ao mercado internacional por meio de cadeias produtivas já consolidadas.
O que muda no mercado interno com a entrada de produtos europeus?
Haverá um aumento na concorrência entre fornecedores de tecnologia e máquinas. Com a redução gradual das tarifas para produtos vindos da Europa, empresas catarinenses que hoje compram equipamentos da China ou dos Estados Unidos podem passar a preferir os fornecedores europeus. Esse movimento tende a reduzir os custos de investimento para a indústria local, mas também exige que os fabricantes brasileiros de bens de capital se tornem mais eficientes para não perderem mercado.
Quais são os riscos de longo prazo apontados por especialistas?
Economistas alertam para o risco de o Brasil se especializar apenas em vender matérias-primas e produtos de baixo valor agregado, como carnes e madeira, enquanto consome produtos tecnológicos europeus. Outro ponto de atenção são as barreiras não tarifárias, como as exigências de sustentabilidade. Sem uma política industrial que incentive a tecnologia e a diversificação, o estado pode se tornar excessivamente dependente de poucos setores, dificultando o desenvolvimento de uma base industrial mais moderna e ampla.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





