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Para entender

Como os vinhos de altitude estão impulsionando a Serra catarinense?

Altitude, frio e solo criam vinhos mais complexos. (Foto: Divulgação/Vinícola Suzin)

A produção de vinhos finos acima de 900 metros de altitude consolidou a Serra catarinense como referência nacional. O setor registrou um salto de faturamento na última década, transformando a economia regional por meio da agroindústria qualificada e do fortalecimento do enoturismo.

O que define um vinho de altitude e por que ele é especial?

São vinhos produzidos em regiões elevadas, geralmente acima de 800 metros. Na Serra catarinense, o frio intenso e a radiação solar fazem a uva amadurecer devagar. Isso cria um equilíbrio perfeito entre o açúcar e a acidez, gerando bebidas com aromas mais concentrados, cores intensas e maior teor alcoólico. É um produto com identidade única, moldado pelas condições extremas da natureza local.

Qual foi o impacto financeiro dessa atividade na região nos últimos anos?

O crescimento foi expressivo. Em uma década, o faturamento do setor saltou 593%, saindo de R$ 7,55 milhões para R$ 44,81 milhões em 2023. Esse sucesso econômico é reflexo de um aumento de 315% na área plantada e de uma produção que quase triplicou, chegando a cerca de 1 milhão de garrafas por ano. Além disso, a eficiência por hectare cresceu 88%, mostrando que o negócio se tornou mais lucrativo.

Como o turismo contribui para o sucesso das vinícolas catarinenses?

O enoturismo é hoje um dos grandes motores da economia regional, representando 38% do faturamento total do setor. Eventos como a Vindima de Altitude — a celebração da colheita das uvas — atraem cerca de 50 mil visitantes anualmente entre os meses de março e maio. Isso movimenta hotéis, pousadas e restaurantes fora da tradicional temporada de neve, criando empregos e novas oportunidades de negócios em cidades como São Joaquim e Urubici.

Quais são os principais desafios enfrentados pelos produtores locais?

O maior risco é o clima rigoroso. Embora o frio seja necessário para a qualidade do vinho, geadas tardias (que ocorrem fora de época) podem destruir parreirais inteiros em poucos dias. Além disso, investir no setor exige paciência: o chamado 'payback', que é o tempo necessário para recuperar o dinheiro investido, pode levar entre 12 e 15 anos. É um negócio que demanda alta especialização técnica e construção de marca a longo prazo.

Quais critérios um produtor deve seguir para ter o selo de qualidade?

A região possui uma Indicação de Procedência (IP) reconhecida pelo INPI. Para obter essa certificação, as vinícolas precisam seguir regras rígidas: cultivar as uvas acima de 840 metros, usar apenas variedades de uvas europeias específicas (Vitis vinifera) e garantir uma maturação mínima. Atualmente, 27 propriedades fazem parte da associação que detém esse selo, o que garante ao consumidor a origem, a qualidade e a rastreabilidade do vinho comprado.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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