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Para entender

Como Santa Catarina se tornou uma das economias mais fortes do Brasil?

A industrialização de Santa Catarina nasceu em núcleos de imigração e deu origem a polos como o têxtil no Vale do Itajaí, o metalmecânico em Joinville e a agroindústria na região oeste do estado. (Foto: Divulgação/Tupy)

Santa Catarina consolidou-se como o segundo estado mais competitivo do Brasil em 2026, transformando núcleos de imigração em potências globais. Com liderança em capital humano e segurança, o estado enfrenta agora o desafio de investir 57 bilhões de reais em infraestrutura para sustentar o crescimento de indústrias centenárias e novos polos tecnológicos que movem a economia catarinense.

Qual é a origem histórica do sucesso industrial catarinense?

A força econômica de Santa Catarina está profundamente ligada à colonização iniciada no século XIX por imigrantes alemães e italianos. Diferente do modelo brasileiro tradicional, que concentrou fábricas em grandes metrópoles, os catarinenses criaram aglomerados produtivos especializados, conhecidos como clusters, em diferentes regiões. Joinville focou na metalurgia e mecânica, enquanto Blumenau e o Vale do Itajaí se tornaram referências no setor têxtil. Esse modelo descentralizado permitiu que as cidades crescessem junto com suas indústrias, criando uma rede de fornecedores e escolas técnicas que formaram mão de obra qualificada desde o início. Essa tradição de cooperação e o foco em atender demandas locais que depois ganharam o país foram fundamentais para transformar pequenas manufaturas coloniais em empresas multinacionais que hoje competem no mercado externo.

Quais são os principais obstáculos para o crescimento futuro do estado?

Apesar do excelente desempenho econômico, o estado enfrenta um gargalo crítico na logística que pode frear o desenvolvimento nos próximos anos. Atualmente, Santa Catarina ocupa apenas a 19ª posição nacional em qualidade de rodovias, o que encarece o transporte de mercadorias. Especialistas apontam que são necessários investimentos de 57 bilhões de reais até 2029 para evitar um 'apagão logístico'. O problema principal não são os portos, que são altamente produtivos e modernos, mas sim o acesso terrestre a eles. A malha ferroviária é insuficiente, com apenas 17% em operação, o que sobrecarrega rodovias como a BR-101. Sem alternativas eficientes para escoar a produção, especialmente do agronegócio no oeste catarinense, a competitividade do estado fica ameaçada pelo alto custo do frete e pela demora no deslocamento das cargas até os terminais portuários.

O que define a nova estratégia de desenvolvimento para as próximas décadas?

A aposta de Santa Catarina para o futuro está no que os especialistas chamam de diversificação integrada. O objetivo é unir a tradição manufatureira com novas tecnologias, como inteligência artificial, biotecnologia e economia circular. Em vez de escolher um único motor econômico, a estratégia é fortalecer as conexões entre setores que hoje operam separados, como a tecnologia da informação aplicada à agricultura ou o design moderno no setor moveleiro. O centro dessa engrenagem continua sendo o capital humano, pilar no qual o estado é líder nacional. A disponibilidade de profissionais qualificados e a forte presença de centros de pesquisa permitem que as empresas desenvolvam soluções inovadoras dentro de casa. Assim, o estado busca manter sua força econômica valorizando quem opera as máquinas e investindo em marcas globais que representem a alta complexidade da produção catarinense.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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