
O governo de Santa Catarina antecipou em nove meses a entrega do elevado na interseção da SC-486 com a BR-101, em Itajaí. A agilidade na obra de R$ 60 milhões foi possível graças ao uso de blocos de isopor sob o asfalto, técnica que estabilizou o solo mole da região de forma ultrarrápida.
Como o isopor é utilizado na construção de uma rodovia?
O material utilizado é o poliestireno expandido (EPS), conhecido popularmente como isopor. Ele substitui o aterro de terra ou rocha em locais onde o solo é muito úmido e instável, funcionando como um enchimento ultraleve. O sistema inclui o assentamento dos blocos, filtros drenantes, membranas de proteção e, por fim, as camadas de base e o asfalto.
Por que essa técnica permitiu terminar a obra tão cedo?
Em solos moles, um aterro comum exige um longo tempo de espera — que pode durar anos — para que a terra se compacte e o terreno pare de ceder. Como o isopor é até 100 vezes mais leve que a terra, ele não sobrecarrega o solo, eliminando o tempo de espera para estabilização e permitindo que o asfalto seja colocado quase imediatamente.
O asfalto sobre o isopor suporta a passagem de caminhões pesados?
Sim. O projeto é dimensionado para distribuir o peso do tráfego pesado de forma equilibrada. Além disso, o isopor utilizado recebe aditivos que impedem a propagação de chamas e é protegido contra agentes químicos. A vida útil estimada para esse tipo de estrutura é de 50 a 100 anos, desde que bem conservada.
Qual é a importância estratégica desse novo elevado?
A obra resolve um dos principais gargalos de trânsito do litoral norte catarinense, ligando Brusque a Itajaí. A liberação das vias elevadas melhora o escoamento da produção industrial e agrícola do Vale do Itajaí em direção à BR-101 e ao porto, garantindo mais segurança e rapidez para quem produz e transporta cargas.
Essa tecnologia de usar isopor em rodovias é comum no Brasil?
Embora não seja a solução mais comum devido ao custo do material ser superior ao da terra, seu uso está crescendo em áreas urbanas ou de solo instável. Santa Catarina já aplicou a técnica em outros trechos da BR-470 e da BR-101. A viabilidade econômica ocorre pela economia de tempo e pela redução de riscos em solos de baixa capacidade de carga.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









