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Economia

SC cresce acima do Brasil em 2025, mas varejo inicia 2026 com cautela

Indústria catarinense e dados do comércio de Santa Catarina
Conforme dados do IBGE, a indústria catarinense cresceu 3,4% entre janeiro e novembro de 2025. (Foto: Roberto Zacarias/Governo de SC)

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O ano de 2026 inicia com percepções distintas entre os agentes econômicos em Santa Catarina. Enquanto a maioria dos consumidores demonstra otimismo, o setor produtivo manifesta cautela.

Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC), 55% dos consumidores acreditam que a situação econômica do estado irá melhorar neste ano. Entre os empresários, o índice de confiança cai para 33,3%.

A cautela entre os varejistas reflete-se na intenção de investimento: apenas 26,2% dos entrevistados planejam abrir novas unidades ou ampliar as atuais, enquanto 63,5% descartam novos aportes no período. Para o presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni, o principal entrave apontado é o custo do crédito, com a taxa Selic em 15%, o maior patamar em duas décadas.

“Os empresários estão cautelosos. Embora haja a perspectiva de queda dos juros neste ano, o crédito segue muito caro. Além disso, os gastos do governo podem aumentar em razão das eleições”, afirmou.

Segundo a pesquisa, 35,4% do empresariado espera uma piora no cenário ao longo do ano. Entre os entraves citados, estão a escassez de mão de obra qualificada, que foi citada por 28% dos empresários como a principal preocupação, seguida pelo aumento dos custos (27%). Também apareceram como preocupações a concorrência com plataformas digitais (15%) e a redução da demanda (13%).

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80% dos catarinenses sentem-se seguros no emprego

Entre os consumidores, a pesquisa da Fecomércio-SC revela que, além dos 55% que projetam melhora, 19% avaliam que a situação permanecerá estável. Por outro lado, 23% acreditam em uma piora no cenário econômico ao longo do ano.

De acordo com a economista da federação, Edilene Cavalcanti, fatores tributários e o mercado de trabalho explicam essa percepção. “A aprovação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a baixa taxa de desemprego no estado — pouco acima de 2%, contra 5,2% no Brasil — sustentam a confiança. Aproximadamente 80% dos catarinenses se sentem seguros ou muito seguros em relação ao emprego, o que cria base para investimentos de longo prazo, como a casa própria ou veículos”, explicou.

O otimismo não é uniforme geograficamente. Enquanto Itajaí (81%) e Lages (80,7%) apresentam os maiores índices de confiança, Joinville registrou o menor percentual: apenas 17% dos entrevistados acreditam em melhora imediata. Chapecó (53%), Florianópolis (52%) e Blumenau (48%) registraram percentuais abaixo da média estadual e em Criciúma a taxa foi de 56,3%.

  • Metodologia - A pesquisa da Fecomércio-SC foi feita no fim de 2025 e ouviu 405 empresários em 11 cidades e 2.100 consumidores em sete municípios catarinenses no final de 2025.

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Indústria, comércio e serviço de Santa Catarina ficam acima da média nacional

A confiança dos consumidores é amparada pelos indicadores consolidados de 2025. De acordo com o IBGE, a economia catarinense avançou 4,7% entre janeiro e outubro do ano passado, superando a média nacional de 2,4%. O desempenho foi positivo nos três principais pilares da economia estadual: indústria, comércio e serviços.

1. Indústria - A indústria catarinense cresceu 3,4% entre janeiro e novembro de 2025, enquanto a indústria brasileira avançou 0,6%. O resultado foi impulsionado por segmentos específicos:

  • produtos de metal: +12,3%
  • máquinas e materiais elétricos: +7,8%
  • máquinas e equipamentos: +5,9%

O secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Santa Catarina, Silvio Dreveck, atribui o índice aos incentivos estaduais, como o Prodec e o Pró-Emprego. “Esse incentivo, aliado a uma indústria diversificada, possibilitou um desempenho acima da média, apesar dos desafios nacionais e internacionais de 2025”, destacou.

2. Comércio - O setor de comércio varejista somou elevação de 5,7% em Santa Catarina (frente a 1,5% no Brasil). Os principais destaques foram:

  • artigos de uso pessoal e doméstico: +10,2%
  • hipermercados e supermercados: +7,3%
  • artigos farmacêuticos e perfumaria: +5,1%
  • livros, jornais, revistas e papelaria: + 4,1%
  • equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: + 4%

3. Serviços - O setor cresceu 3,7% no estado (ante 2,7% no Brasil), com destaque para serviços profissionais e administrativos (+7%). Para Dreveck, o mercado de trabalho aquecido permite mais renda para o catarinense e então ele compra mais. "Esse aumento no consumo cria novos empregos e gira toda a roda da economia”, complementou.

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