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Um sinal recente indica que o ajuste fiscal no Brasil começou antes mesmo do resultado das urnas em outubro. No último mês, o Congresso aprovou uma lei complementar que reduz em aproximadamente R$ 10 bilhões a previsão de crescimento de despesas obrigatórias, incluindo despesas com saúde. A avaliação é de Silvio Cascione, chefe da consultoria de risco político Eurasia no Brasil, em entrevista à Gazeta do Povo durante o evento "Money Week 2026"*, realizado em Balneário Camboriú (SC) no fim de agosto.
"Isso antecipa uma parte do ajuste que deve ser feito no ano que vem", afirmou. Segundo ele, ministros e lideranças do governo discutem um pacote adicional de medidas, que deve complementar o que foi feito em 2024, mas a falta de detalhamento preocupa o mercado.
"É provável que essas medidas ainda sejam debatidas depois das eleições, também em função da composição do Congresso. Cada minuto conta. Quanto mais tempo passar sem o anúncio dessas medidas, mais caro ficará o ajuste no futuro".
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Crise fiscal é diferente da de 2014
O chefe da Eurasia traça um paralelo entre a crise fiscal atual e a que levou o Brasil a um ajuste agudo em meados da década passada — período marcado por forte recessão, disparada da inflação e corte severo de gastos públicos, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Para ele, o quadro de agora é, em certos aspectos, mais perigoso.
"O ponto mais grave da situação atual é o nível de endividamento, não apenas do governo, mas também das famílias e das empresas, a um custo muito alto", afirmou. Cascione aponta que as duas crises têm origens distintas. A de 2014, diz, resultou de um forte desequilíbrio na estrutura produtiva e de pressão inflacionária elevada, o que exigiu um ajuste agudo e terminou em recessão profunda.
"Agora, o cenário é de balanços mais carregados", afirmou. Na avaliação dele, esse endividamento privado combinado a juros altos cria risco de falências e de superendividamento das famílias caso a trajetória da dívida não seja controlada.
O que o mercado global quer saber sobre o Brasil
Para quem observa o Brasil de fora, a eleição de outubro é acompanhada com ênfase sobre o problema fiscal. Segundo Cascione, é essa a dúvida que orienta as decisões de fundos e empresas globais antes de aportar recursos no país.
O economista descreve o Brasil como uma espécie de "retaguarda estratégica" para investidores internacionais diante de um cenário externo turbulento — um destino de diversificação, ainda que não seja hoje a prioridade máxima dos fluxos globais de capital.
*A reportagem da Gazeta do Povo viajou ao evento a convite dos organizadores.









