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A produção industrial de Santa Catarina encerrou 2025 com uma expansão de 3,2%, de acordo com os dados da Produção Industrial Mensal Regional (PIM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice do estado foi superior à média nacional do período, que apresentou variação de 0,6%.
Com este resultado, a indústria de Santa Catarina ocupou a terceira posição no ranking de crescimento do segmento no país em 2025, atrás de Espírito Santo (11,6%) e Rio de Janeiro (5,1%), estados cuja atividade foi impulsionada pelo setor extrativo de petróleo e gás. No comparativo regional, o desempenho catarinense ficou acima do Rio Grande do Sul (2,4%) e do Paraná (0,3%), além de superar estados como Minas Gerais (1,3%) e São Paulo, que teve queda de 2,2%.
Para o governador Jorginho Mello (PL), os números são reflexo da estrutura produtiva local. “A indústria é um dos motores da nossa economia e um grande orgulho para Santa Catarina. Esse resultado positivo é fruto direto da soma de empreendedores com grande visão e de um povo que gosta de trabalhar”, afirmou.
Indústria de Santa Catarina cresce impulsionada pelo segmento da transformação
O crescimento da indústria catarinense foi sustentado principalmente pelo segmento da transformação. Os setores com maiores altas foram a fabricação de produtos de metal (10,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,2%) e a fabricação de máquinas e equipamentos (6,3%). A indústria de alimentos (5,9%) e a de minerais não metálicos (5,1%) também apresentaram variações positivas.
Para a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), a diversidade da base industrial e o ciclo da construção civil foram determinantes para o resultado. No caso do metal, por exemplo, o avanço foi impulsionado pela usinagem e alta demanda por estruturas metálicas em obras.
“A construção ainda impactou a fabricação de minerais não metálicos, com destaque para a cerâmica de revestimento. Esse encadeamento produtivo também favoreceu os setores de coloríficos, químicos e tintas”, explicou o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt.
Desaceleração e fatores externos
Apesar do índice anual positivo, a Fiesc observa um movimento de perda de ritmo na atividade fabril. Dos 13 setores analisados pela federação, 10 apresentaram redução na velocidade de crescimento ao longo do ano.
O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, relacionou o cenário a variáveis macroeconômicas. “O desempenho, apesar de positivo, mostra desaceleração da indústria, motivada pela elevada taxa de juros, pelo consumo doméstico mais contido e também pelos efeitos da redução das exportações para parceiros importantes, como Estados Unidos e China”, afirmou ele.
Entre os setores que tiveram retração em 2025, destacam-se a fabricação de produtos de madeira (-4,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,6%), móveis (-2,9%) e metalurgia (-1%). Conforme o levantamento, as quedas nos segmentos de madeira e móveis refletem o impacto de barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
Projeções para 2026
Para o ano de 2026, a Fiesc projeta um crescimento moderado de 2,06% para a produção industrial catarinense. A estimativa leva em conta a expectativa de que os efeitos de uma possível redução na taxa Selic não ocorram de forma imediata. Ao mesmo tempo, espera-se que o consumo interno melhore a partir do segundo semestre.
“A expectativa é de que o aumento da renda disponível das famílias e a redução da Selic contribuam para o aumento do consumo no mercado interno, impactando inclusive setores mais dependentes de crédito, como o de máquinas e equipamentos”, analisou o economista Pablo Bittencourt.
O secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck, destacou o papel de políticas públicas na manutenção da competitividade. “O governo do estado oferece programas de incentivo como o Prodec e o Pró-Emprego que são fundamentais para garantir a competitividade do setor”, defendeu.






