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Para entender

Mansueto Almeida projeta riscos para o PIB e caminhos para os juros em 2027

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, afirma que o controle do crescimento das despesas públicas pode abrir espaço para queda mais rápida dos juros (Foto: Divulgação/EQI Investimentos)

O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, alertou hoje em Florianópolis que o Brasil pode enfrentar um crescimento baixo ou até negativo em 2027 se não houver um controle rigoroso dos gastos públicos. Durante análise em evento realizado em agosto, ele destacou que o futuro econômico do país depende mais da estabilização da dívida interna do que do cenário internacional atual.

Como a política fiscal pode influenciar a taxa de juros nos próximos anos?

Um plano fiscal crível, que demonstre como o governo pretende segurar o crescimento das despesas, tem o poder de reduzir rapidamente os juros de longo prazo. Isso acontece porque, quando os investidores confiam que o país não terá problemas para pagar sua dívida, o risco diminui. Com essa segurança, o Banco Central ganha espaço para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic. Por outro lado, se entrarmos em 2027 com juros elevados e sem um controle claro dos gastos, o custo do crédito continuará alto, freando investimentos e podendo levar o PIB a um terreno negativo.

Quais são os três cenários projetados para a economia brasileira em 2027?

No cenário mais favorável, governo e Congresso desaceleram as despesas, permitindo juros menores e preparando o país para investimentos fortes a partir de 2028. No cenário intermediário, ocorre um ajuste parcial, com juros entre 10% e 10,5% e crescimento do PIB de até 2%. Já o cenário adverso é o mais preocupante: o aumento contínuo de gastos geraria inflação alta, desvalorização do real e saída de capitais. Nesse caso, o Banco Central seria obrigado a manter ou até subir os juros para controlar os preços, o que aprofundaria a queda da atividade econômica e traria risco real de recessão.

De que forma o cenário externo e o dólar impactam a inflação no Brasil?

Cerca de 40% da alta recente dos juros reais no Brasil é explicada pelas taxas impostas pelos Estados Unidos, que seguem com a economia aquecida. No entanto, a maior parte do problema é interna. Sobre o câmbio, embora o dólar tenha caído de R$ 6,26 para R$ 5,20 devido a movimentos globais, um real valorizado tem dois lados para o agronegócio. Se por um lado diminui a receita das exportações, por outro reduz o custo de fertilizantes e insumos importados. Se o dólar sobe demais, esses custos de produção aumentam e pressionam a inflação, forçando o BC a manter os juros altos.

Quais medidas são necessárias para garantir um ajuste fiscal eficiente?

O foco não deve ser um corte radical e súbito, mas sim a desaceleração do crescimento das despesas públicas. Medidas essenciais incluem rever as vinculações mínimas de gastos municipais em saúde e educação e desvincular parte das despesas da arrecadação total. Além disso, é preciso revisar a indexação de benefícios ao salário mínimo e eliminar regimes tributários especiais que não possuem justificativa econômica clara. Atualmente, a carga tributária no Brasil é de 32% do PIB, patamar muito superior à média da América Latina, mas o país ainda deve registrar um déficit nominal elevado neste ano.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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