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Para entender

Onde está o sino que sobreviveu à bomba atômica de Nagasaki no Brasil?

Wataru Ogawa, de 96 anos, é o guardião do sino da paz. (Foto: Marinara Franz/Acervo pessoal)

O município de Frei Rogério, em Santa Catarina, abriga o Sino da Paz, uma relíquia de bronze de 400 anos encontrada nos escombros da bomba atômica de Nagasaki de 1945. Trazido pela família Ogawa, o objeto é hoje um símbolo de memória e reconciliação na primeira colônia japonesa do estado.

Como esse objeto histórico veio parar em Santa Catarina?

O sino foi trazido em 1998 por iniciativa de Kazumi Ogawa, um imigrante japonês radicado em Frei Rogério. Ele sobreviveu à explosão de 1945 por um atraso fortuito que o impediu de chegar ao centro da cidade. Anos depois, ele pediu às autoridades de Nagasaki um símbolo para homenagear as vítimas, e o governo japonês destinou um dos raros sinos sobreviventes à colônia catarinense.

O que é um hibakusha e qual sua ligação com a cidade?

Hibakusha é o termo japonês para designar as pessoas sobreviventes das bombas atômicas. Em Frei Rogério vive Wataru Ogawa, de 96 anos, que servia na Marinha na época dos ataques e foi exposto à radiação ao entrar em Nagasaki após a explosão. Ele é o atual guardião do Sino da Paz, que representa o sofrimento e a resiliência de sua família e de outros pioneiros da região.

Por que o sino é considerado um símbolo de paz?

Ele foi uma das poucas peças que resistiram ao calor e à força da explosão nuclear em um templo budista. Ao ser preservado e enviado ao Brasil, tornou-se um instrumento de reflexão. Todos os anos, nos dias 6 e 9 de agosto (datas dos bombardeios), o sino recebe badaladas em cerimônias nas quais a comunidade silencia para lembrar as consequências da guerra e celebrar a harmonia.

Como a cultura japonesa é preservada no município?

Além do sino, a cidade mantém vivas suas raízes por meio da fruticultura, como a produção de peras japonesas, e de espaços como a Casa Octogonal (Yumedono). Coordenado pela Associação Cultural Brasil-Japão, o local promove oficinas de culinária, gastronomia típica e eventos que integram a herança japonesa com outras culturas locais, como a alemã e a italiana.

É possível visitar esses locais carregados de história?

Sim. A visitação ocorre em eventos da comunidade ou mediante agendamento. O Sino da Paz, que já integrou um Museu da Paz destruído por um incêndio em 2016, aguarda a conclusão de um novo projeto museológico. Enquanto isso, grupos de turistas e estudantes podem conhecer a história da imigração e o monumento em forma de tsuru, ave que simboliza a vida e a paz.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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